Quando eu iniciei esse blog eu estava em vias de vir pra Santa Catarina. Hoje em dia, estou quase indo pra 7ª fase – no próximo semestre. Eu não posso dizer que ache que o tempo passa rápido… Não… O que me incomoda não é exatamente a velocidade, mas como pode que tudo possa mudar tanto em tão pouco tempo?
Nesses últimos tempos, recentemente, eu tenho pensado muito sobre a vida, o tempo, e a morte. Não sei se foi o falecimento da minha avó que desencadeou tudo isso… Mas de repente, realmente não sou mais um menino de 17 anos e logo a seguir me formo, e lá vamos nós se preocupar com trabalho, família e etc.
Existe algo de doce e perturbador em lembrar o passado. E eu admito que parece muito assustador pensar no futuro.
Não me sinto pronto pra lidar com um leque de coisas… De fato tudo que imaginava quando fazia curso pré-vestibular, ainda pra Arquitetura, pouco aconteceu. Eu jurava que ia ser famoso um dia e ter rios de dinheiro, fazer coisas das mais utópicas que se pudesse imaginar… Ter “o” relacionamento dos sonhos e viver em paz.
Surpreendentemente hoje em dia me preocupo se vou me formar e ter emprego, e em toda devassidão que mora em mim e que eu não dou vazão pelo fato de respeitar os relacionamentos monogâmicos, ainda que estejam altamente perturbadores. Resumindo, penso em ter estabilidade financeira e satisfazer os meus desejos mais mundanos.
O que existe de cretino nisso tudo é que os sonhos ainda existem: um dia publicar um livro, dividir com as pessoas o que aprendo, viver um relacionamento homossexual que não fique se escondendo, constituir uma família, reconhecimento, etc. Mas com o passar de todos esses anos eles adquirem tons meio desbotados e um certo “quê” de ingenuidade.
Me pego pensativo às vezes, sobre o que eu estou construindo atualmente. E pra mim é tão difícil saber o que é bom, o que vale a pena ou não… Já foram muitas coisas tristes que se passaram. Tantas perdas em tantos sentidos.
Me sinto mal com essas mortes todas na minha família… Eu fico agora com medo do que sobrou ir embora também. Os vínculos com o passado vão se rompendo e a sua memória é a única sobrevivente. Uma, aliás, que nem sempre tem uma versão boa ou divertida dos fatos… E você vai perdendo ajuda pra lembrar do resto.
Fico facilmente chocado com a morte… Como por exemplo esse acidente de avião. O que aquelas pessoas sentiram, viveram… Como foi? O que aconteceu?
Desejaria viver num mundo onde a morte não fosse nada disso. Onde se pudesse receber e-mails das pessoas que vivem no Além. Elas estariam lá esperando… Onde a morte não fosse um acidente horrível, ou um momento de extremo medo. Onde fosse apenas deixar ir… Viajar pra lá, pro não sei onde.
E será que realmente esse Além existe? Por que ficou tão mais difícil pra mim acreditar nele hoje em dia? Antes eu acreditava com facilidade.
E a solidão da morte? Esse momento único, pessoal. Dizem que quando nascemos e morremos estamos sozinhos. Não vale! Quando a gente nasce nem sabe que está nascendo (conscientemente, ou você se lembra?). Quando a gente vai partir, ninguém vai com a gente, ninguém vai sentir o que a gente for sentir… Tudo se apaga, e você está só invariavelmente.
Eu admito que tudo isso tem perturbado demais. Não encontro respostas pra essa aflição. Tenho feito terapia, como sempre faço volta e meia… Semestre sim, semestre não, aqui e ali. É esquisito se deparar com a possibilidade de tudo que você imaginou não existir ou não acontecer…
Embora coisas legais, pessoas legais, aconteçam na minha vida, ainda assim – não nego – sempre resta uma inquietudo dentro de mim. E aí vou lá comer pro tempo passar mais rápido, ou pra não me dar conta que falta um sentido. E o pior de tudo é que eu cozinho bem… E depois me sinto mal, gordo e triste. E pensativo.
Como pode isso tudo? Como pode esse mundo onde tudo é um mistério… A vida… A morte… O futuro… O passado… O outro?

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