
A "Música da Floresta" do pintor surrealista Vladimir Kush
Sábado foi o dia de ir ajudar na festa dos calouros. Como sou do Centro Acadêmico eu precisava colaborar… Mais uma vez como no ano passada fui um dos meninos das fichas, tirando que este ano – talvez por conta da idade avançada (faço 24 anos em maio) – eu demorei muito a pegar o jeito da coisa.
Infelizmente ontem não era um bom dia. Estava com o rosto machucado (nas áreas dos pontos de acupuntura E6 e VB1), o corpo cansado, e me achando tão medonho que até troquei de roupa 2 vezes porque não me achava bem com nenhuma. Essa semana também foi muito movimentada, praticamente nem pude descansar.
Embora a festa estivesse legal e no Bar tudo divertido, aconteceu algumas coisas que me deixaram a pensar. Teve um menino que veio no balcão algumas vezes e ficava falando e perguntando coisas mais da minha intimidade, sendo que ele não é gay e eu fiquei bem constrangido. Também conversei e encontrei algumas pessoas queridas. E de modo geral tudo me deixou pensativo. Tanto que em dado momento quis ir embora.
Tenho estado numas semanas de ver coisas a respeito de mim, lá no fundo. Dizem respeito à minha… Não diria sexualidade, mas acho que afetividade é mais exato – porque se não fica parecendo que é sexual, mas não é bem isso.
O menino lá me disse que como hétero ele achava que eu era um tipo Cinderela, que é um gay mais sensível, delicado, e que se interessa por homens de atitudes nobres e boas ações. Embora ele ficasse querendo que eu dissesse sim e não – e eu constrangido querendo pular num buraco – ele mais ou menos estava certo.
Mas é um tanto esquisito tudo. Que as pessoas erradas percebam as coisas certas em você. Digo, as pessoas que você não gosta, não se dá bem e não tem nenhum tipo de contato… Conquanto as que você convive, tanto em família, quanto digamos num relacionamento, não vejam isso… Ou então “esqueçam” e só lembrem quando te atingiram de alguma forma ruim.
Teve algumas vezes ontem que me senti um pouco mal porque sei que acabo dançando, às vezes andando, ou gesticulando, ou falando sem querer, de um jeito diferente, quem sabe “afetado“. E recentemente (leia-se pós ano novo), tô numa época de olhar pra dentro, pra essa parte.
Por um lado eu sinto medo de ser xingado, a até da violência. Por outro, é um outro aspecto… Que é o da rejeição.
Quando se é homossexual, até mais feminino, ou “delicado” apenas, normalmente existe um certo quê de rejeição. Não digo que é errado porque tu não pode querer dizer pros outros que é errado eles não gostarem de algo… Mas o fato é que grande parte dos homossexuais do sexo masculino se sentem atraídos por homens com caracteres mais masculinizados. Tanto que tem muita gente que até se apaixona ou tem fetiches com heterossexuais.
Fica um certo questionamento na cabeça: “eu pertenço a quê?”. É, claro, você se dá bem com as pessoas, ri e brinca. Mas enquanto ser humano que deseja a companhia de alguém para construir uma relação. Como fica tudo isso?
Eu vivo num relacionamento que atualmente me põe muito de cheque com isso. Nunca me sinto seguro. Isso porque eu sei que tem coisas que o meu namorado não aceita em mim… Do tipo se eu usar maquiagem (nos cílios, ou lápis de olho, ou na sombrancelha), ou então alguns tipos de roupa, ou então alguns gostos e até algumas danças (teve um dia que ficou de cara porque eu falei que ia tentar copiar uma coreografia da música “womanizer”, que até nem tentei).
Então por um tempo, até umas duas semanas passadas, não me dei conta de que eu vinha tentando ser mais “homenzinho”. E no entanto, isso me trouxe grande desprazer.
Tenho percebido só essas coisas todas, mas não sei se eu vou fazer algo em relação a elas, ou nem se realmente é o caso de se fazer. Tudo que sei é que tenho desenhado bastante… E os meus desenhos parecem refletir nascimentos, crescimento, partidas, reencontros… E tenho encontrado muitas borboletas, diariamente as encontro – hoje não foi diferente.
Pelo menos tenho feito nestas 2 semanas, algo que sentia falta. Andava me sentindo muito só, mas desde então pelo menos na faculdade e em alguns lugares ocasionais, tenho encontrado pessoas que não falava direito há tempo, e me divertido conversando com elas.
Noutros sentidos também tem coisas que estou tendo de deixar de lado, forçosamente, pelas atividades da faculdade. O canto é um bom exemplo, estou ainda tentando ajeitar. Mas vamos tentando no que dá.
Individuação é um verdadeiro desafio, criativo, mas ainda assim um processo desafiador.