M e u S i l ê n c i o

Entradas do Março 2009

Vão cobrar a sua avó!

Terça-feira, Março 31, 2009 · 1 Comentário

Finaceiramente à parte as instituições as quais devo (como o cartão de crédito, leia-se VISA), estou de saco cheio de alguns tipos de cobrança.

Eu não sei se nunca reparei, ou se ninguém me avisou, mas eu me sinto muito cobrado. Emocionalmente, principalmente. E eu não entendo isso.

Sempre fui uma pessoa quieta, distante, na minha. Agora me pego diante de coisas como família, namorado, contatos, etc. Parece que querem que eu aja assim, ou assado, responda até tal data, faça isso e aquilo… E nunca tinha me apercebido. Duas hipóteses:

A – Não é assim como estou achando;

B – Era assim e eu não conseguia enxergar.

De qualquer jeito a realidade é que estou me sentindo cobrado e sobrecarregado por causa dos outros

Recém vim da cozinha onde, após a pausa do páragrafo anterior, derramei comida sobre a louça lavada que estava na pia.

Não sei ainda como lidar com tudo isso. Só sei que se eu continuar assim eu vou começar a ficar irritado, e quando fica nesse clima, normalmente acabo falando coisas além do que precisava, de uma maneira muito bruta, pras pessoas pelas quais me sinto incomodado. Fico com um humor do cão, e qualquer mínima brincadeira, ironia, insinuação ou indireta me motiva um daqueles tradicionais sorrisos de vitrine.

O negócio é relaxar, e discretamente fazer uma figa pra todo mundo!

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Ano novo

Segunda-feira, Março 2, 2009 · 1 Comentário

Finalmente começa o ano novo brasileiro com o fim do carnaval.

Hoje, em específico retornei às aulas.

Tenho enfrentado um leque de dificuldades emocionais desde o falecimento do ano de 2008. Foi como se todos os setores da minha vida de início tivessem virado de pernas pro ar, mas ao contrário das ondas que se espalham, a repercussão disso tudo atingiu águas mais profundas e internas dentro de mim.

É com relação ao namoro, é com relação à vida. Sinto-me inseguro, magoado, em outras horas incerto sobre como um dia eu poderei trabalhar com aquilo que estudo… Conflitos, incertezas, falta de perspectiva.

Na minha família as coisas andam um pouco difíceis em casa, financeiramente. Por conta disso, mais do que nunca, tenho pensado por demais sobre como será quando eu terminar o meu curso. Será que vou conseguir ganhar dinheiro, será que vou ter oportunidades? Meu curso é novo, poucas pessoas conhecem sua proposta.

Por outro lado, desistir certamente não é uma opção. Só sei que não gostaria de pensar que ao me formar vou pra minha cidade de novo, e passar o resto da vida por lá.

Sempre tive muitos sonhos. Por incrível que pareça para um homem, eu acho que estive longo tempo à espera de um tipo de amor que fosse uma redenção. Um homem “mágico”, que um dia eu conheceria, me apaixonaria e teria certeza de que do lado dele eu gostaria de ter uma casa e adotar filhos… Ele trabalharia e eu também, mas me sentiria seguro do lado dele.

Por conta desse sonho antigo sempre tive um tipo de admiração ou atração pelos caras que tinham a vida mais estabilizada, ou que trabalhassem. Só que o tempo passou, eu me desiludi bastante frente aos amores, e me pego agora me cobrando para ser este “cara” que eu não sou e não sei ser, e não me ensinaram a ser.

Às vezes me sinto ferido e machucado. Sinto-me muito feminino (da maneira como se considera isto): Um artista sensível e delicado que se atrapalha com tanta praticidade, dinamismo e exigências de um assustador mundo de negócios programados para explodir e cair no meu colo dentro de 2 anos (menos que isso).

Neste ponto me sinto um pouco inferior ao meu namorado que sempre trabalhou. Perto dele me sinto um pouco de nada. Acho meio ridículo escrever histórias e se ocupar com desenhos, conquanto nunca trabalhei em nada (a não ser como monitor no semestre passado).

Me questiono muito a respeito da utilidade da minha produção artística – canto, escrita, desenho.

Não sou autor, nunca soube ser. Então porque escrevo histórias, essas histórias doidas que ninguém lê? Sempre que me sento diante da tela eu penso sobre isso.

Eu estava escrevendo o final do post e a internet aqui desconectou e perdi tudo.

Tenho pensado em buscar alguma ajuda na faculdade ou fora. Meu sono anda péssimo, tenho tido enorme dificuldade pra dormir e descansar. Fico angustiado, às vezes me sinto triste e preocupado. Gostaria de encontrar uma maneria de resolver coisas que simplesmente não posso. Minhas ilusões, sonhos e contos de fada me protegeram por longo tempo, talvez – infelizmente – tempo demais.

O livro que ganhei da professora da qual fui monitor, “Jung e o Tarô”, fala em determinado ponto que nossa sociedade está carente de significação. Muito do que se considera incompreensível ou mal, tem às vezes raízes numa chaga muito profunda e bem acobertada que é o questionamento último do homem: Para que estar aqui? ou ainda o motivo dos nossos atos, escolhas, etc.

Traduzindo em miúdos, a autora diz que o homem por sua natureza de ser humano necessita se apaixonar e ter emoção naquilo que faz. Sentir que faz por algo Maior. E às vezes, porque não quase sempre, é dificílimo achar a resposta para isto tudo.

Às vezes me sinto sozinho e meu professor de Medicina Xamãnica diz que a solidão é o distanciamento de si mesmo. Creio que faz muito sentido.

Onde estará aquele Rafael?

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