M e u S i l ê n c i o

Entradas do Agosto 2008

Receita para uma tarde de vento

Sexta-Feira, Agosto 29, 2008 · 1 Comentário

Olá amiga dona-de-casa! No programa de hoje introduziremos a você uma nova e emocionante receita. Para isso você precisará:

* 1 moinho para moer o trigo

* cerca de 1 galinha

* 1 vaca inteira com tetas

* 1 canavial

* 1 plantação de trigo

* 1 plantação de maracujás

* 1 cozinha

Já separou tudo, amiga? Não tem as coisa(sem o último “s” mesmo)? Então tá que a gente facilita pra você. É porque aqui você é a pessoa que mais importa! É, é verdade… Tá bom, tá bom, é mentira.

Hoje faremos “TORTA DE MARACUJÁ”!

Ingredientes:

MASSA:

2 xíc. e meia de Farinha de Trigo

1 col. de sopa de açúcar refinado branco (não, não é uma colher da “sopa de açúcar”, é uma colher das utilizadas para tomar sopa, cheia DE açúcar)

1 gema (eu sei que vai sobrar a clara)

6 col. de sopa de manteiga sem sal e gelada

CREME:

2 latas de leite condensado Moça (aquele que a bonequinha antiga era bem mais bonitZinha)

1 lata de creme-de-leite bem gelado (dá-lhe 30 min. de freezer!)

1 medida da lata do leite condensado Moça de suco concentrado de MaracuJÁ

Como fazer?

Bem, comecemos pela massa! Misture os ingredientes da massa (sempre esqueço o “n”) até formar uma farofa. Com uma colher de sopa (não é de sopa-sopa, já expliquei, que teimosa!), adicione até o máximo de 2 colheradas de água geladíssima. Aperte, aperte, forma bola, aperta, aperta… Quando cansar ou quando perder 3kg nessa brincadeira, coloque a massa em formato de bola na geladeira e deixe-a no merecido descanso por 30 minutos de amor.

E agora?!

Apressadinha! Calma! Bem, agora vamos ao creme. É muito simples! AH! Mas não esqueça de tirar o SORO do cremdileiti – para isto retire-o do freezer hipotético, abra a lata por baixo e deixe sair tudÓ! Você vai precisar de um liquidificador sem trema. Tá bem, eu também não consigo deixá-la de lado: um liqüidificador com trema (são os melhores)! Misture os iNNNNgredientes do creme no copo do liqui, opa, liqüi ;) e bata com fé. Muita fé!! No máximo 3 minutos… Outro dia li que mais que isso ajuda a queimar seu motorzinho. 3min, desliga 1, 3min, desliga 1 e vai indo. Mas se não quer acreditar, bata até formar um creme homogêneo e lindo, se ficar feio coma sozinho depois. Reserve o mix na geladeira.

Não entendi, e depois?

Ahá! Agora você pega aquela massa do fundo da torta, abre ela entre plásticos com um rolinho ou então inove e faça do jeito que der – aperta, usa garrafa, sei lá, é com você. Numa forma de 30 centímetros de diâmetro, vá forrando o fundo e os lados. Ah, mas se quiser desenfornar é melhor pôr um papel alumínio em toda a forma por dentro. É porque se não depois a massa pode grudar e você ficar irritada dando chilique e chutando o que tiver perto que eu tô sabendo e todo mundo anda falando no orkut.

Relembrando: Forra forma com papel alumínio, põe a massa em cima até formar um fundinho bonito (se não for bonito, faça sigilo absoluto).Fure a massa com um garfo pra não formar bolhas e leve ao forno pré-aquecidinho até dourar a bicha (a torta – não aquele seu amigo fresco)!Deixe a massa esfriar e ponha o creme por cima. Leve à geladeira, cubra com suspiros (ou merengues em algumas regiões) pequeninos e quando tiver tudo gelado, é só correr pro abraço!

Por hoje é só, espero que tenham gostado. Eu ainda vou experimentar esta noite que é aniversário da minha mãe e vou fazer pra esperar ela! Au revoir!

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Um sonho

Sexta-Feira, Agosto 29, 2008 · 3 Comentários

Hoje tive um sonho bem bonito. Sonhei com um cara que eu não conheço. Creio já ter sonhado com ele antes, lembro bem da última vez. Hoje era mais real… A gente não se conhecia… Então íamos fazer um curso no mesmo lugar, não sei se era vinculado à Universidade. Chegamos e tinha 2 informantes em mesas opostas. Um me falou que só havia chegado eu e mais outro… E escutei o informante de trás falando com alguém – e era esse cara. Não sei porque começamos a conversar. Teve uma cena no sonho em que estávamos deitado num gramado, meio acima da cidade (!), e estávamos olhando o céu estrelado e conversando. No final eu soube que ele gostava de hipismo, e me convidou para andar a cavalo, eu pedi que me ensinasse pois não sabia. Quando ia subir, acordei. Mas na hora não queria acordar, senti que estava acordando.

Levantei hoje me sentindo mal, de novo. A mesma coisa, náusea, muita náusea, vômito. Fraqueza, cansaço – inclusive mental. Saí uns 20 minutos antes de a aula terminar. Quarta passada foi a mesma coisa, tanto que acabei nem indo. Só que hoje ainda tenho a tarde pela frente, nem posso ficar em casa. :(

Sinto como se tivesse chorado muito, mas não chorei. Quem sabe não precisaria de um pouco disso. Agora vou lá tomar um banho pra ver se me animo um pouco já que comida por enquanto não vai entrar nenhuma.

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Cansado mas…

Terça-feira, Agosto 26, 2008 · 4 Comentários

Mas pois é, hoje eu tinha várias coisas programadas pra fazer. Uma das que foi mais bacana é que dei minha primeira monitoria! É, um grupinho se juntou e às 19 horas tava lá eu pra tentar ajudar eles. Fiquei tão nervoso, quase fugi… Eu acho uma grande responsabilidade, mas foi uma experiência muito legal. Legal mesmo!

Enfim, estou cansado mas satisfeito.

=)

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Memorando pra mim mesmo

Segunda-feira, Agosto 25, 2008 · 2 Comentários

Mais uma vez essa é uma nova fase da minha vida. Sei que estou mudando de novo, mas ainda não sei explicar conscientemente “como”. Eu sinto no meu corpo, na minha vida, diferenças no meu jeito… Alterações no organismo acompanhando. Não sei dizer, mas acho que estou me re-adaptando por algum motivo, e creio que seja algo muito bom, porque apesar das minhas cartas aqui eu me sinto mais alegre (ironicamente mais “gay” em inglês, rs.).

Domingo reencontrei a Dany. Não se se já comentei sobre a Dany aqui no blog, mas ela e a mãe dela – Mariza – foram pessoas muito importantes na minha vida na época em que eu saí de Pelotas e voltei pra casa, em depressão. Naquele tempo elas testemunharam coisas boas e ruins na minha vida, e sempre estiveram lá… Firmes, abertas, doces.

A Dany está morando por aqui, numa praia de Floripa, e a Mariza – fiquei sabendo – está vindo pra cá. Fiquei tão contente! Considero-as como uma verdadeira família do coração, e isto me deu um outro sentimento – adicionando-se aos novos e ainda (des)conhecidos que já pressinto em mim.

Às vezes sou meio injusto quando digo que me sinto sozinho, ou que sou sozinho… Por um lado pode ter sua razão – difícil encontrar pessoas parecidas com determinadas coisas que eu tenho. Mas por outro é muito errado porque tem pessoas aqui e lá no sul, que se preocupam comigo e que considero como parte da minha vida.

Também escrevo pra registrar que pela primeira vez na vida fui ver uma apresentação de canto lírico. Realmente muito bonito, e o tipo de freqüentadores me fez sentir muito à vontade. Aquelas velhinhas todas chiques, jovens com aspecto mais intelectual, dentre outros. Muito bacana!

Digno de comentário a farra na formatura de Naturologia que estivemos presentes, a convite de uma ex-colega de Coral.

Ah, e o Coral já é outra história.

Iniciei também a escrever um novo projeto de livro… Ainda não tem nome, nem sei se vai ter. Só sei que é uma história nova, contemporânea, personagens outros, muito bom isso. Consegui com meu professor o contato de um estudante de Medicina pra me dar umas dicas – porque existem processos de doença na história. Só abro uma nota aqui pra dizer como fiquei um pouco chocado, rs. Enquanto eu ia escrevendo no MSN sobre alguns sintomas ou características dos personagens, ele ia dizendo de maneira aparentemente tão despreocupada e natural pode ser isso ou aquilo. Como se não houvesse uma carga dramática, uma vida, outras coisas envolvidas na doença: O mais importante, próprio ser.

Hoje fiquei feliz também por saber que em breve o Gasparetto vai abrir um espaço virtual para seus cursos, lá no site da Vida&Consciência. Rezo a Deus por um de Metafísica da Saúde – adoro! O volume 4 que é sobre o sistema nervoso adquiri semana passada. Realmente fiquei surpreendido, está muito melhor escrito, mais “maduro”, com coisas mais “técnicas” e finalmente uma introdução clara sobre o que é a Metafísica da Saúde e como ela relaciona as emoções com as doenças.

E hoje também recebi um e-mail muito engraçado falando sobre a suspeita de que a vacina contra Rubéola fosse uma desculpa para esterilizar em massa a população. Bem, seria meio estranho né? Possível, mas bem estranho. Que interesse se teria nisso? Como estudante da área da saúde eu tenho que apresentar comprovante de vacinas para trabalhar depois em espaços clínicos. Mas com certeza, não fui por tanto gosto. Realmente não se pode saber o que é aquilo com exatidão, suas dimensões. Lendo na amada Wikipédia vi que a doença não é grave em crianças, mas uma dos aspectos negativos é a capacidade de causar má-formação fetal se a mãe adquirir a doença.

Por hoje é isso. Ficamos no aguardo de novidades. Acho que minha mãe vem esta semana pra cá.

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Carta àquele que sei

Sexta-Feira, Agosto 22, 2008 · 2 Comentários

Oi…

A nossa despedida hoje foi meio ruim, eu sei. Eu queria que tu me entendesse.

Tá sendo difícil pra mim… Tu me lembra o meu pai… Chegando todo dia em casa, depois do trabalho. Ele era legal com todas as pessoas lá, e nas ruas, seus colegas… Mas em casa se irritava fácil, às vezes nem falava direito.

Comigo tu tens agido assim, sabia? É a faculdade, é o trabalho, eu sei, eu já te disse que eu entendo tudo. Mas também eu tenho limite. Tu também tinha que me entender… Eu preciso de carinho também. Pior que eu sou tão idiota, eu tô sempre aqui, sempre diposto, mesmo sendo irritado e meio doido. Mas tô sempre aqui, tentando estar de um jeito especial.

Têm sido exasperante. Eu te enviei aquelas mensagens sendo sincero, tu me deu uns toques, nada além disso. Só o silêncio, sem fim.

Mas apesar de tudo eu te amo. Não sei se é um amor pra vida inteira… Mas eu gosto de ti. Queria que as coisas dessem certo. Mas sei lá, às vezes dá impressão que por mais que se tente acertar, sempre tá errado eu pra ti, tu pra mim.

Tens guardado teu melhor pros teus colegas. Que inveja que dá… E nem isso tu compreende direito.

Enfim, amanhã a gente se fala, se der.

Fica com Deus. Até…

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Carta a um ilustre (Des)conhecido

Sexta-Feira, Agosto 22, 2008 · Deixe um comentário

Oi, tudo bom? Há quanto tempo, né?

Sabe… Te confesso que fazia bastante tempo que eu não lembrava de ti, e achei isso engraçado. Tinha uma época que eu não conseguia esquecer… E agora passa um dia, dois, três, mais… Sem que me venha seu rosto ou seu jeito na cabeça.

Pois é.

Mas hoje eu lembrei de ti, sabia? Sim… Parece que o dia de hoje foi todo feito pra lembrar de ti.

As coisas aqui andam seguindo seu rumo. Só às vezes parece que eu deixei um pouquinho daquele Rafael mais doce, mais sensível e espiritualizado lá contigo. E também tá chovendo, sabe como é, a chuva faz parte dessa história.

Eu sinto tanta falta de ti, e eu acho tão errado dizer isso… Eu vou estar magoando os sentimentos de alguém dizendo isso. Mas a verdade é que eu sinto. Falta daquilo que a gente teve… Mas também, pra ser sincero, eu sinto falta de ter aquilo, mesmo com outra pessoa.

Eu senti tanto amor… Era um amor tão grande que era como se ele vazasse de dentro de mim… Como se eu estivesse virando uma estrela prestes a derramar amor por toda a Terra.

Você fez uma escolha, eu também. Agora você anda por aí, em alguma cama, em alguns braços ou não… Mais velho e mais barbudo, rs. E eu aqui, com mais “wrinkles” (lembra?).

Eu acho que nunca mais vai ter alguém pra andar de mão dada comigo sem medo. Ou pra rir daquele jeito meio engraçado… Pra ter um encontro de alma, onde as coisas acontecem sem pedidos, sem insinuações, simplesmente acontecem.

Eu só queria te desejar boa noite. Você foi muito importante pra mim.

Hoje lembrei de ti, não sei porquê o dia me trouxe você. Mas talvez você esteja precisando de alguma coisa… Eu disse que sempre estaria aqui. E eu espero que Deus ilumine teu caminho, de todo meu coração. Pra mim é um caminho bastante dolorido. Acho que estamos bem assim, você aí e eu aqui. Você sem lembrar de mim e eu também.

Quando eu começo a pensar que nada existe de bom para os gays como eu – diferentes – eu lembro desse tempo. Me dá uma pontada de vontade de um dia encontrar alguém que me traga algo além de carinho velado, ou vergonha, ou descontos por estresse. Enfim.

Vou deixar você ir embora mais uma vez, meu amado fantasma. Cuide-se bem, eu estou me cuidando.

Até um dia.

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Não queria mais ser gay

Sexta-Feira, Agosto 8, 2008 · 6 Comentários

É, confesso.

Hoje, talvez pela primeira vez, pensei seriamente sobre isso. Realmente não gostaria de ser como eu sou. Ser gay, gostar de homem.

Sinto-me um pouco triste, deslocado às vezes. É como não fazer parte de nada.

Imagino que a vida heterossexual deva ser mesmo muito interessante: Não faltam baladas e lugares para sair; a televisão e todo o resto transmite relações que vão de encontro ao que você experimenta; homens são homens, mulheres são mulheres; dá pra beijar, abraçar, namorar em locais públicos sem escutar coisas, ou sem que a outra pessoa te diga: “na boa, quero um relacionamento discreto“.

Estou um pouco cansado disso tudo, especialmente na questão discrição.

Talvez eu seja romântico por demais. Já tive sonhos de um dia “casar” com um cara, adotar, ter uma casa, formar uma família… Tudo isso. Mas é engraçado ver que ninguém se dispõe… Imagino como deve ser gostoso andar de mãos dadas numa rua, num lugar, até na faculdade. Eu não tenho nada disso. Não tem sogra chamando de genro, não tem nada. Quase nada.

Como se não bastasse não apenas ser gay, ainda ser gay passivo e mais sensível, ligado ao feminino. É como se fosse um preconceito ou uma discriminação pública. E também não sou da religião da academia – pelo menos por enquanto… Não estou nos padrões.

Minha vida seria “N” vezes mais fácil se eu fosse pelo menos diferente a partir de todos esses aspectos. Mas não é.

Eu sei que cabe a mim ter de ter mais auto-aceitação. Mas por hoje, eu gostaria e sinto que gostaria (o que pode ser bom, no sentido de aceitar também) de ser diferente, de ter uma vida como dos outros – dos heterossexuais ou dos outros gays.

Talvez por tudo isso me sinto perdido no mundo, meio sem identidade. De onde sou, aonde pertenço? Eu não sei a resposta. Este post não o escrevo na intenção de soluções, mas no simples intuito de abrir o coração e desabafar. A vida realmente não pode ser diferente em termos de sexualidade, e tem um lado meu que gosta de ser assim… Mas isso, é outra história.

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