M e u S i l ê n c i o

Entradas do Maio 2008

Sem saber

Sexta-Feira, Maio 30, 2008 · Deixe um comentário

Porque estou me sentindo tão atingido?

*

QuÃron

Bem, estou atualizando este post sobre o ocorrido na sexta. Não vou entrar em detalhes maiores como eu teria entrado sexta-feira (para os desatualizados hoje já é segunda). Tive uma situação um pouco constrangedora com um professor, durante a aula. Eu expus uma opinião minha, ele reagiu um tanto quanto de maneira pessoal e eu me senti muito chateado. Quando cheguei em casa troquei e-mails com ele e ficou mais ou menos entendido.

Segundo ele, “temos muitas coisas em comum, além das ‘opções’, nos parecemos muito.”. Eu não sei exatamente… Talvez seja verdade. Pensando melhor temos a morte do pai e de uma avó querida na bagagem… E talvez por isso tenhamos seguido o rumo que seguimos.

Entretanto quando é pra falar sobre saúde, doença e cura, noto que tanto ele quanto eu nos tornamos meio dogmáticos no ponto-de-vista. Ele, não querendo aceitar qualquer fatalismo… Ou seja, que não se pode determinar as causas das doenças com extrema certeza. Eu, pelo outro lado, querendo encontrar lógica e coerência nesse louco processo de saúde (seja das plantas, animais, da Terra).

Sei que foi uma situação bem chata, me senti bastante incomodado. Expus isso pra ele porque eu acho que é assim que as relações humanas podem melhorar, com honestidade. E é isso que eu também desejo com relação dos outros para mim. Isso de dizer coisas é muito novo pra mim, ainda estou aprendendo neste lado.

Eu gostaria bastante de ter mais contato com este professor, entender ele, conversar aquelas conversas filosóficas sobre o que vai ser da Naturologia. Mas ao mesmo tempo eu não sei agir porque não acho certo uma aproximação… Ainda mais pelo fato de que antes existia outro sentimento da minha parte.

Eu acho que eu agi no calor do momento, talvez se tivesse esperado mais eu não teria escrito. Ao mesmo tempo eu acho que fiz a coisa mais certa que podia ter feito, até porque soube medir bem as palavras e separar na hora o que devia e não devia falar – mesmo com vontade.

Respondendo à pergunta, me senti bastante atingido sim, agora o motivo é ainda meio obscuro… Talvez pela maneira – que eu julguei um pouco grosseira – da parte dele como professor. Talvez pela minha sensibilização em relação a ele – de dar uma certa relevância maior a ele do que apenas professor, pois de certa maneira eu admiro ele num nível profissional, gostaria de ser um professor parecido com ele um dia. Mas admito que dentro de mim tenho sentimentos bem ambíguos e que não me agradam nem um pouco com relação a ele.

Enfim… Conheci ele no primeiro semestre, quando tive a “sorte” de ser atendido no espaço da Naturologia aqui na universidade. E embora tenha tentado na época, e no segundo semestre, uma aproximação com outras intenções, não foi o que aconteceu. Depois passei a me concentrar mais no meu relacionamento que apareceu… E agora virei aluno dele finalmente, e os tempos são outros, as sensações são outras.

Talvez ele tenha razão, sejamos parecidos.

De certa forma, emitindo agora um juízo muito pessoal de valor, tenho pena dele. É, um tipo de pena, não pena-pena “ai-que-pena”… Mas algo me toca. Não sei explicar, mas é como se por detrás daquele riso fácil, ou do jeito meio “anuviado”, houvesse uma ferida não cicatrizada, como a do Quíron (ah, consulte a Wikipédia do amor que tô com preguiça de explicar).

Este foi outro post que me faz sentir desnudo. Logo mais tento atualizar o Ponto Zero.

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Meu Primeiro Amor

Quinta-feira, Maio 29, 2008 · 1 Comentário

Nunca imaginei que um dia eu escreveria sobre isso. De fato, eu nunca escrevi.

Hoje, porém, estava voltando de mais um dia de conspirações na casa da Nayara e pensava na vida. Sempre que vejo a novela que está prestes a terminar, mais exatamente o casal Maria Paula – Ferraço (“Duas Caras”, Globo), eu sinto algo mexendo dentro de mim. A possibilidade do retorno dos dois, as circunstâncias, sempre tocou intimamente dentro do meu ser.

E então rememorei o caso de SC, mas mais especificamente lembrei da primeira pessoa que eu amei. Se foi amor propriamente dito ou qualquer outra coisa eu não julgo, mas que eu considerei e marcou, certamente foi.

Eu tinha 14 anos, fiz 15 naquela época de segundo ano do Ensino Médio. Era extremamente tímido, retraído. Não saía de casa, não tinha amigos, e dormia na mesma cama que a minha mãe. Minha bisavó era viva. No final do primeiro ano eu tinha feito algumas amizades de sala, só que elas acabaram indo pra outros turnos, alguns rodaram e então eu estava praticamente sozinho. Foi muito infeliz este começo.

Sempre fui um bom aluno, exceto pelos empurrões de barriga do primeiro ano, que também foi uma mudança de escola pra mim (o colégio marista que fiz o ensino fundamental não tinha ensino médio). No segundo me restava pouco senão estudar… Tive bons professores nessa época. Ainda estava bem gordo (no início de janeiro eu pesava mais de 110 kg). Com o tempo fui emagrecendo, ao longo do ano…

Fiz amizade com um menino que era meio estranho. As pessoas tinham pena e ao mesmo tempo caçoavam dele. Primeiro porque ele não era adepto do desodorante. Segundo porque era um pouco lento, e às vezes se indignava com motivos bem nada-a-ver. Terceiro, a pena, era porque ele vinha sempre com roupas muito simples pra aula: Calças de abrigo que mal lhe serviam – ficando com as canelas de fora, seu tradicional chinelo modelo havaiana branco com azul, e poucos agasalhos.

Não foi esse meu primeiro amor, mas foi o meu primeiro contato. Eu lembro que sempre tinha muito pânico dos meninos do fundo, que me respeitavam até, mas ao mesmo tempo desejo de me enturmar e eu simplesmente não conseguia fazer isso de maneira nenhuma.

Na hora do intervalo eu ficava lá, dentro da sala, como se estivesse refugiado. Me afligia estar no meio e caminhando entre as pessoas da minha idade – na verdade mais velhas, porque eu era o mais novinho.

Esse amigo que vou chamar de X era amigo de outro rapaz, Y. Eu, particularmente, não me dava com Y, e até mesmo nutria uma boa dose de antipatia por ele assim como desprezo pelos meninos de classe (outro sentimento conflituoso). Não tinha amigas mulheres nessa época.

Foi então que um belo dia o X falta a aula (caso raro), e por um golpe do destino eu acabo sentando do lado do Y numa aula meio vazia. Começamos a falar sobre… Videogame! E aí criou-se uma pequena e frágil amizade a partir dali.

Como eu não tinha vida extra-classe, eu passei a conversar eventualmente com Y e X nos intervalos de aula e só isso. Também eu não praticava educação física – tinha pânico de pensar nisso. Lembro de Y sempre comendo cachorro-quente, na sala… Brincando com a mes do professor, pondo-a no colo… Com sua calça jeans, seu abrigo de academia. Falando sobre seu treino de luta ou de musculação.

O cabelo dele era raspado e claro. Os olhos castanhos, um sorriso fácil e largo. Traços fortes… Constituição física forte, um pouco mais alto que eu na época. Tinha um ar especial.

Durante todo aquele ano eu convivi com ele sem pensar em nada. Até que vieram as férias e chegou o terceirão – não éramos mais colegas. Nesse ano ocorreram umas mudanças… Emagreci mais, fiz um curso de computação nas minhas tardes, fiquei mais aberto, fui representante (na verdade meio figurativo) de turma, criei simpatia com colegas. Mas ainda era o menino que não se misturava, fugindo e ficando recluso no intervalo. Tive uma amiga muito especial na época, a Letícia, e uma outra, a Ju – que tinha sido minha colega no colégio marista.

Este ano foi intenso e bacana. Lembro ainda da querida professora de Português e Literatura me dizendo na formatura: “todas as portas estão abertas”. Sem esquecer as maravilhosas professoras de Matemática e Genética.

Enfim…

Em casa eu comecei a descobrir que ao pensar em homens eu me sentia estimulado. No início eu tinha comigo que nada acontecia. Depois eu me coloquei pra mim mesmo como bissexual… Mas sem intuito de ficar com homens senão na cabeça. Até que chegou o dia, dentro de mim, que não deu pra negar que eu realmente era diferente. Que eu era gay.

Essa época foi dura, por não ter ninguém com quem compartilhar. Eu sentia muita vergonha de mim mesmo. Pensava no meu pai (que havia se suicidado em 96), e em como ele sentiria desgosto por mim. Às vezes pedia perdão a Deus e a ele enquanto rezava e chorava trancado no banheiro.

Também foi neste tempo que eu vi que ao pensar no Y eu sentia uma atração, que não era sexual – porque isso era tabu pra mim a ponto de eu não sentir – e sim atração emocional. Foi por conta da emoção, do “amor” que eu vi que eu era gay, pois nunca tinha sentido isso tão forte por alguém antes. Embora tivesse tido um rolinho aos 12 com uma menina, que nem beijo teve. Era diferente então.

Só que meu auto-preconceito era tanto que eu fiz um pacto comigo mesmo. Eu nunca tentaria nada com ninguém porque sendo o Y um rapaz “normal”, eu não queria arruinar a vida dele – não tinha esse direito de trazer algo que ele poderia querer e partir por um caminho errado (uma presunção bem grande minha também, né). E também eu tinha tanta vergonha do meu corpo (como ainda tenho um bocado), que eu achava que jamais poderia ter envolvimento sexual com alguém… E nem imaginava como seria sexo entre dois homens. Era estranho. Não conseguia nem a imagem na cabeça – e na internet muito menos, aquela época era foda a não ser pelo bate-papo de imagens do UOL. Mas eu não compreendia como um podia “comer” o outro. Como era a coisa na prática. Então isso também me preocupava, me ansiava.

E tendo beijado antes uma menina, e sentido nojo quando era menor, eu agora me sentia brutalmente triste por me sentir condenado a ficar só. E também porque o beijo que eu desejava eu não podia ter.

Os meses se passaram, minha bisavó também falecera no meio de 2001.

Teve um dia que as turmas de terceiro ano da nossa escola e de outra se reuniram para uma palestra sobre aquecimento global. Efeito estufa na verdade, algo bem aparentemente diáfano na época. Nunca mais havia falado com Y… Cheguei, uma multidão no auditório. Sento-me e logo quem vejo? Ele. E sentamos um do lado do outro.

Conversei com ele, como nunca tinha feito. Falei que pretendia cursar Arquitetura e ele me falou que adoraria ter uma casa de frente pro mar – que ele achava muito legal – e que então eu projetaria a casa dele. E então antes do fim ele disse: “Vamos embora?“. E é aí que a minha história não termina. Eu disse que ia ficar.

Eu estava tão feliz, mas tão feliz com o que sentia, que eu estava nas nuvens… Não queria ir, queria ficar. Estava no ápice já!

Depois disso, eu não o vi mais. Ele não foi na formatura e ficou uma lacuna. No verão ainda o vi de longe e nem tive coragem de falar com ele. Ficava na expectativa de sair um dia de noite e falar com ele…

Nessa época eu buscava no Espiritismo um consolo e orientação pro meu caso. E Deus, como me fazia sofrer, sangrar por dentro, ler nos sites que o HomossexualISMO era uma desordem que poderia até ser tratada com passes. Que deveria ser corrigida pelos pais na infância… Que homossexuais não poderiam de forma alguma participar dos trabalhos mediúnicos pela sua natureza desordenada. E eu acreditava nisso, nesses homens que se diziam médiuns e escritores. E como chorei e sofri! Tentando me conformar com meu destino sozinho.

Eu olhava pra lua e pedia que já que eu não podia ficar com ele, que ele fosse feliz. E foi pra tentar viver esse amor, pelo menos em sonho, que eu escrevi Cidade do Anjo, inspirando o amor dos personagens principais – pelo menos naquela versão – no amor que eu sentia.

Às vezes eu fechava meus olhos deitado, e imaginava nós dois nos encontrando na praia vazia lá perto da cidade que eu vivia. E ele falava comigo, me dava conselhos, me confortava… E isso me dava conforto. Eu tinha pânico de qualquer coisa que pudesse me identificar como homossexual, ou qualquer possibilidade de ter alguma coisa com alguém.

Ao longo dos dois anos seguintes eu fiz cursinho, entrei na Arquitetura… Conheci o Pablo, meu amado amigo gay. Só ele sabe como eu era. Assexuado, assustado, reprimido. Nos anos seguintes entrei em depressão. Em todo esse tempo embora eu conhecesse pessoas, eu não conseguia esquecer o que senti por Y. Não conseguia superar. Ia pra casa, e pensava nele, e não sabia onde estava… Eu tinha até o número de telefone dele e sempre adiava a ligação, com medo, com auto-reprovação.

Até que com a depressão, e o tratamento primeiro com a psiquiatra na cidade que fiz faculdade, em Pel otas, eu me senti encorajado a procurar ele. Depois de várias discadas e desligadas eu liguei… A mãe dele atendeu. Expliquei que era um ex-colega e que gostaria de falar com o Y. Bem, ele não estava… Deixei meu nome e desliguei. Num outro ato surpeendente outra semana tornei a ligar… Pois creio que disse que ligava noutro momento. Estava então em casa, no final de semana, não em Pel. E aí a mãe dele atendeu, disse-me que ele não estava, que tinha ido a POA passar o findi com a namoradA e que não lembrava de nenhum Rafael.

Naquele dia eu me escorei na guarda do sofá e chorei bastante.

Nunca mais fui atrás dele. Depois quando Dany e eu fizemos amizade através do meu ex, descobri que ele morava perto dela. Cheguei a vê-lo algumas vezes na frente de sua casa próximo ao hospital… O mesmo jeito, com o rosto mais maduro, entradas mais salientes nos cabelos. Mas pra mim, lindo, como há anos antes.

O apoio que tinha vinha do Pablo. Em casa as cobranças eram fortes para que eu me mantivesse dentro de parâmetros aceitáveis pela unidade familiar (do corte de cabelo à manifestação de tristeza). Meus momentos de triste incomodavam muito. Comecei a sair em boate GLS no final de 2004, quando houve meu primeiro beijo com homem antes… E foi com este amigo. Aí então em envolvi com outros meninos, me apaixonei e desapaixonei, vivi intrigas, etc. Até cair em depressão profunda com os pulsos e o corpo cortados por estilete e desejando sumir da face da Terra sem saber o que fazer da vida. Eu não gostava da Arquitetura e deixava meu destino nas mãos dos outros, sem ter posicionamento, firmeza comigo mesmo.

A espiritualidade sempre foi meu refúgio, minha força. Graças a Deus amadureci e desenvolvi minha sensibilidade… Encontrei outras informações, participei de trabalhos. Criei novas histórias… E desenvolvi laços com pessoas que abandonei para trás junto com Arquitetura. Dói imensamente amar aquela época difícil e saber que nada dela existe a não ser em minha memória. Os colegas formados, já não estão lá. O Pablo já não está lá. E eu já não tenho 16 anos e nem sou o mais novinho da turma.

Eu sinto agora, enquanto escrevo este gosto amargo, este aperto na garganta. Que tristeza!

Se eu me relacionei com um ideal, pode ser… Mas amei aquele menino. Nossa. Uma rara vez encontrei o orkut dele aqui já em SC. Lá ele estava noivo, foto com uma moça, e participando do Corpo de Bombeiros em POA. Sorri… Deixei para trás. Mas admito que toda esta história me marcou muito.

Eu me sinto insatisfeito ao olhar para trás, e me perguntar “e se eu tivesse sido mais próximo? e se eu tivesse saído com ele daquela palestra?”. Eu não sei. Infelizmente.

Hoje em dia o tipo de menino que me atrai lembra muito ele, com outros toques. Cabelo mais claro, másculos, aparentemente seguros de si, afáveis, fortes em ambos os sentidos… Ser médico é sonho demais, admito até. Mas ser apaixonado pelo que faz, estuda. Mas o interessante é que eu nunca encontrei nada disso. Quando encontrei eram heterossexuais… Ou quando vi eu não me aproximei por esse medo, de achar que não seria correspondido porque penso no meu corpo como um lixo.

[suspiro]

Custoso pra mim relembrar esse tempo, esse sofrimento, mas senti que seria bom tirar de dentro de mim e dividir. Ainda gostaria de um dia encontrar esse menino e falar com ele, e dizer dentro de mim “é, realmente, nada a ver, sem chance”. Assim como quero viver um dia em que eu vou me sentir à vontade de me despir na frente de alguém, seja pra desejar sexo, seja pra ser atendido com uma massagem em aula por exemplo.

Parece que no fundinho de mim… Ainda mora aquele menino gordo, anti-social, desajeitado, extremamente sensível e machucado, que quer amor. E que não sabe o que fazer, que é triste… Que se acha um lixo por ser como é. E fora de mim a vida continua lembrando que eu agora estou mais velho.

Meu primeiro amor… Platônico, mas principalmente… Lacônico.

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Quarta-feira, Maio 28, 2008 · 1 Comentário

Entrevista com Robert Happé: “Consciousness is the answer” (parte 1)

Legendado em Português [BR]. Este vídeo eu encontrei no blog “Saindo da Matrix“. Realmente se você parar para escutar de coração aberto, com a mente serena e despreocupada, vai perceber a poderosa sabedoria que jorra nestas palavras e que certamente lhe vieram inspiradas por algo além.

Parte 2

Parte 3

Parte 4

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A Terra em crise e Re-estabelecendo estruturas

Quarta-feira, Maio 28, 2008 · Deixe um comentário

Bom, depois de desabafar por aqui, as coisas melhoraram um pouquinho. Na verdade, na verdade, melhorou bem depois de uma idéia. A princípio partiu da Nay ao escutar meus aborrecimentos… Que talvez eu poderia escrever um artigo pro jornal do Centro Acadêmico, falando justamente sobre o que eu estava sentindo.

Eu não mostrei pra ela ainda, mas de fato eu me sentei inspiradíssimo na frente do Word e compus (exatamente, não escrevi, eu compus) um texto que me deixou, no mínimo, satisfeito! ;)

Nele eu acho que consegui expressar bem aquilo que eu tinha necessidade de dizer. Não de forma pessoal e lúgubre, mas de maneira bem objetiva e clara a todos os colegas de curso sobre a necessidade de lutar para estabelecer um futuro “legal” (no significado jurídico) para a profissão.

Enfim… Se era uma influência espiritual querendo que eu escrevesse, eu fiz, e passou aquela sensação terrível de não me ver no futuro ou não crer que possa dar certo. Engraçado né? Como sensitivo eu realmente não posso descartar a possibilidade que de repente eu estava mesmo precisando canalizar algo, e como eu funciono muito por sensações emocionais, eu fiquei nessa até cumprir o que precisava.

Sabe-se lá quantas vezes não foi assim, ou não poderia ter feito algo para me sentir melhor. Enfim… Posso estar sendo precipitado, mas pelo menos enquanto estou escrevendo agora-agora, estou bem melhor!

Falando nisso mês que vem eu pretendo realizar o 2º nível do curso de Florais de Bach. E quem sabe, se der certo mesmo em julho também possa fazer o 3º e último nível, e quem sabe, me tornar um terapeuta floral reconhecido internacionalmente? Com número de registro e tudo? Bacana né? Me daria oportunidade (a que eu ando querendo) de poder começar a atuar de alguma maneira.

Mas o título do post também fala sobre a Terra.

Para os bons observadores, temos tido uma avalanche de notícias engraçadas desde o início do ano:

A primeira leva trouxe aos noticiários bem no princípio de 2008 uma avalanche de descobertas e erros científicos que foram verdadeiramente surpreendentes. Coisas inesperadas, estranhas, que mostraram que realmente não podemos supor saber tudo sobre o funcionamento fisiológico humano e também suas possibilidades. Muita coisa pode acontecer, assim como (pelo que virou manchete) muito erro pode nos colocar em situações ruins. É aquela história… Não sabemos tudo; o inesperado pode acontecer; há variáveis na saúde que se projetam para além do corpo físico; etc.

A segunda leva trouxe este marco que foi o caso da menina de São Paulo. Pessoalmente, o mais marcante nesta história não foi em si as circunstâncias, os suspeitos, ou as versões… O mais brutal foi além do crime: A reação das pessoas nas ruas. Concordo que justiça é necessário, mas não vi ali sentimento de justiça e sim desejo de vingança. Estranho, não? As pessoas chorando, julgando e acusando, sem provas contundentes… Emocionando-se, viajando de longe… E no entanto elas mesmas cometendo seus pequenos crimes despercebidos no dia-a-dia, e que por não resultarem na morte de alguém, parecem poder continuar livres e aliviados de responsabilidade. Tudo isso me levou a ver incrédulo a capacidade do ser humano de ser maldoso, sem se aperceber disso, disfarçado de solidário. Não podemos acusar e julgar sem considerarmos antes a nós mesmos, e sem termos certeza ou compreensão das possibilidades. Pra quem foi na Missa e depois jogou pedra no carro, cabe lembrar Jesus: Aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra. Bom, em tese, difícil alguém sobrar pra poder atirar a pedra.

Finalmente a atual terceira leva de notícias diz respeito às pequenas catástrofes terrenas. Desde o tremor em São Paulo, seguiu-se dia a pós dia novas notícias de tremores e vítimas tanto no Brasil quanto em outros países do mundo. O mais recente acontecimento na China, sem esquecer o terrível tornado (tornado, né?) que atingiu Mianmar. Sem dúvida alguma coisa está acontecendo insuspeita sobre nossos pés. Muita energia está sendo liberada, por algum motivo. A Terra assim como a fisiologia humana, está sujeita a variáveis que os cientistas não podem determinar. Ou vai dizer que, por exemplo, quando deu o “furacão” aqui no Brasil em Santa Catarina sabiam que ia ser tão forte? Era pra ser um simples ciclone. Avisos para a população ficar calma e tudo o mais, e no entanto deu no que deu. A intuição é uma boa aliada nestes tempos difíceis. Mas também a necessidade de compreender este planeta, seu momento, e nossa natureza – o que resume todas estas notícias, o que elas podem estar querendo dizer.

Não saberia dizer exatamente o que vai acontecer. Tudo o que sei, eu já havia dito. 2008 é um ano extremamente intenso para a nossa história… Parte disso porque vivenciamos um efeito “reflexo”: A realidade que se constitui ao nosso redor, os acontecimentos, nunca estiveram tão atrelados ao que vibramos no interior, na nossa Alma. Se por um lado isso acarreta situações ruins, por outro nos mostra em sinais gradativos (que aumentam de intensidade até que os escutemos), que precisamos modificar coisas em nós mesmos. Mas… Como tem gente que resiste a tudo, é ignorante, acha que sabe tudo e não quer mudar… Aí as coisas vão acontecendo.

É importante parar de acreditar que o tal de Karma é um troço que viaja no tempo que nem uma bomba-relógio. Mentira… O “karma” a gente carrega. Isto porque ele é em essência uma disposição da nossa alma… Ou seja, uma tendência que já gerou coisas ruins e que ainda está lá atraindo estas situações. Isso implica que a todo momento podemos re-criar nosso futuro, nossa “sorte”. Estabelecer novas conexões e estruturas. Isso pode parecer difícil, e talvez seja, mas pelo menos é possível e não implica em tanto fatalismo.

Atrevo-me a dizer que uma quarta leva pode ser estas incertezas sobre preço dos alimentos e coisas relacionadas a impostos. Torno a dizer que mesmo isso é um efeito daquele momento reflexo do ser humano enquanto indivíduo e enquanto coletividade. Será preciso apoio, carinho, compreensão… Mas como todos sabem os interesses são outros no mundo das compras e vendas.

Se você quer fazer sua parte pelo nascimento de um novo mundo, comece por você mesmo. É isso que eu aprendi.

De qualquer maneira são os pensamentos de hoje. Que esse bom Deus que existe em todo universo, em todo o tempo, nos dê Fé e Coragem sempre!

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Rumo incerto

Segunda-feira, Maio 26, 2008 · 1 Comentário

SÃmbolo da Naturopatia

Estava cá pensando com meus botões, resolvi desabafar um pouco.

Até uma meia-hora atrás, ou sei lá quanto tempo, eu estava estudando pra prova de Fisiologia (que vai ser difícil), só que acabei cansando. De repente porque tô com a mente muito ligada, não consigo pensar em dormir… Acho que tô precisando tirar algumas coisas de dentro.

Nunca tinha me dado conta de como é difícil viver aqui. É longe, é desconhecido (mesmo que já façam quase 2 anos) e é solitário. Eu olho pra mim em 2006 e não sei de onde eu tirei tanta força e coragem, tanta determinação de querer estar aqui e de fato ter vindo pra cá, sem esmorecer.

Eu considero hoje que eu tava com a mente e a emoção extremamente abalados, devido ao que a situação com o menino daqui de SC me trouxe na época. No entanto eu vim, e quis vir… Mesmo sabendo que não teria possibilidade de voltar a estar com ele, eu quis vir e estar perto. E então acho que um pouco do meu gás foi esse amor, e hoje eu acho isso assustador… Porque ele não é mais válido, e o que me resta são minhas crenças, que também estão abaladas.

(Dia desses até sonhei que eu estava numa nave e via meu prédio. Ele tinha duas partes: Uma mais alta e uma mais baixa, e eu sabia que meu “corpo” estava na mais alta. Então eu vi a parte menor desabar e depois a mais – com grande espanto. Então fiquei assombrado pois estava morto, e enquanto a nave seguia, eu olhei minhas mãos e pensei “e agora?” e tive MUITO medo de ficar inconsciente, de esquecer de mim mesmo… Como se fosse apagar o Rafael, a minha existência para entrar numa nova sem lembrar de nada)

Antes eu tinha uma certeza enorme que viria pra cá e mesmo nas situações mais difíceis, depois de formado, eu conseguiria desviar os obstáculos e ser um excelente profissional – sempre com trabalho. No entando, agora com meus 23 anos recém-feitos, eu tenho medo.

Minha futura profissão não é reconhecida. Existem quem atue com Naturologia como um prestador de serviços… E quem consiga até se infiltrar no Sistema Público de Saúde graças a brechas nas Leis (que podem ser revistas e aí acabar com a “festa”).

Hoje eu penso que eu quero ter uma vida boa, com um salário bom. Não quero um carro, mas quero ter uma casa, quero ser capaz de sustentar as coisas que eu gosto… E não depender de ninguém pra isso. Mas me assombra bastante o “e depois… como vai ser?.

As pessoas não conhecem o que é Naturologia, nem quem é o Naturólogo. Não é possível (eu acho), fazer um bom atendimento com pouco tempo. E nesse sentido cobrar caro também é inviável. O que vai ser?

Anteontem dei uma choramingada e até me senti um pouco arrependido. Quem sabe se tivesse sido mais humilde eu não teria sido um bom professor de Inglês ou Educação Artística? E teria saído mais ou menos com uma profissão que mesmo ganhando relativamente pouco, tem por onde você ir. É mais seguro!

(tomando um chá… hum… muito bom!)

Não sei que mudança se operou em mim desde aquele Congresso, mas tenho re-pensado tantas coisas. Não me sinto bem… O sonho que tive inclusive foi no domingo pós-Congresso a caminho de casa, no ônibus.

O guri que eu tava namorando – e que mesmo terminado acabamos sempre nos vendo e ficando – me pressiona pra voltar a namorar. Aí eu abro o coração e resolvo dizer pra ele que me assusta muito pensar em me comprometer com uma relação. Relações amorosas na cabeça do Rafael (que sou eu), não dão certo. E eu tenho um sonho! Ou tinha… E aí? É mesquinho, mas assumir algo que não é o que eu quis é jogar pelo ralo o médico-alemão (risos estranhos).

E essa coisa de casar, que eu acho lindo? Meu Deus você escolhe ficar com alguém, compartilhar as coisas, e de repente se tudo muda? Se você não quer mais… E aí já tá tudo tão atrelado… A sensação que eu tenho de aceitar um namoro é de me “condenar” a um compromisso que eu não vejo com bons olhos.

Talvez eu tenha pensamentos distorcidos e idiotas, mas sou sincero em escrevê-los aqui. Não estaria tão nu nem que estivesse pelado.

(outro gole de chá…)

Por falar em término, ontem (sábado… opa! anteontem, já é segunda!) eu finalizei o livro novo. Experimentei uma sensação estranha… Não tão de dever cumprido ou felicidade. Não sei explicar. É também como tô me sentindo comigo mesmo. Nem tão insatisfeito, mas… Quero mais, da vida ou de algo.

(parando pra atender o telefone… minha mãe)

Ou de mim…

(malabarismo com o telefone…)

Bem, resumindo: Tenho medo de não ter retorno financeiro. Estou preocupado com me sustentar.

E com relação a mim pessoalmente, eu juro que apesar de todos estes feriados e alguns dias que faltei este semestre, quero muito férias. Férias de tudo… Principalmente das preocupações. Da tensão de “hoje não tem aula, mas depois de amanhã tem que apresentar ou entregar trabalho, ou tem prova”.

Saudades do povo do Centro Espírita lá de Camaquã. Saudades do colo da minha bisavó.

Preciso encontrar o caminho… Qual é a Naturologia que eu quero oferecer para o mundo? Será que ela pode funcionar? Será que realmente conseguirei ajudar?

Suponho que crescer tem dessas coisas loucas aí.

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Pré-Feriado Sem Graça

Quinta-feira, Maio 22, 2008 · Deixe um comentário

Hum, aqui estamos nós. Véspera de feriado sem nada pra fazer… Nenhum amigo pra conversar, sem namorado pra namorar, sem nada pra fazer.

Faz bastante tempo que não venho escrever aqui ou no Ponto Zero. É que tantas coisas houveram pra se fazer por aí, e também estive trabalhando no livro novo. Acho que tanta escrita me deixou sem gás pra postar.

Fico surpreso com os comentários na parte dos meus desenhos, dá vontade até de criar um blog só pra catalogar todos os que fiz. Mentira! Ia dar um trabalho do cão… Mesmo assim fico feliz de compartilhar este estranho mundo.

Não estou com ânimo de comentar qualquer assunto específico, acho que está tudo muito aborrecido, nada realmente excitante e digno de maiores divagações. Por enquanto é isso.

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