M e u S i l ê n c i o

Entradas do Outubro 2007

Frustrante

Segunda-feira, Outubro 29, 2007 · 1 Comentário

Meio estranho se deparar de repente com o fato de você se importar com uma pessoa, para a qual você nem mesmo faz qualquer sentido ou significado. São estranho estes caminhos da vida onde a sua sensibilidade te traz coisas, e estas coisas não servem pra nada, porque não tem sentido saber da vida de quem você não faz parte da vida.

Como sempre, mais uma vez eu me pego sem saber o que dizer, e falando demais. Sendo idiota, pecando por umas migalhas de uma atenção que não tem sentido. É tão frustrante pra mim, me ver sem significado nas mãos de quem significa tanto.

Tô me sentindo bem triste neste exato instante. Acho que é questão de aceitar a vida que eu levo, e parar de ter todos estes sonhos tão grandiosos.

[suspiro]

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Mais Uma Vez

Sexta-Feira, Outubro 26, 2007 · 2 Comentários

O Jardim

Bem, aconteceu que nestes últimos dias soube de um caso na minha família de um certo homem que, nos momentos em que estava sozinho, se vestia de mulher – algo que se diria ser um tipo de crossdressing.

Ele não é homossexual, tem um relacionamento estável faz muitos anos e relatou que desde pequeno passava por estes episódios. O último teria sido no verão passado, e devido à angústia e ao estresse de outras situações que se desenrolaram ao longo dos meses, achou que precisava de ajuda pra lidar com o mal-estar, e depois acreditou que revelar isso à cunhada e à namorada, lhe seria um sinônimo de melhora.

Bem, caso é que estas pessoas, estas mulheres, assim como eu, tiveram uma criação machista. Porém, como tudo na vida, existe um pequeno limiar que Sartre definiu muito bem: “Não importa o que fizeram do homem. O que importa é o que o homem faz daquilo que fizeram dele.”

Tenho visto que as pessoas têm em geral um preconceito muito arraigado de que um indivíduo que se vista de mulher (ou uma mulher que se vista com roupas de homem), raramente ou dirariamente -  não importa, será necessariamente homossexual. Tudo isto é um fruto da sociedade patriarcal, onde é valorizado um comportamento que se alinhe aos valores considerados masculinos.

A velha história da mulher ter de ser delicada, submissa, emotiva, etc. e o homem ter de ser durão, ativo, forte. Isso sem falar nos valores estéticos, que hoje em dia também são apresentados e incutidos.

Um típico comentário com recheio preconceituoso que não parece é aquele que diz “tá, tu pode ser gay, mas não precisa ser afeminado”. Em primeiro lugar, o detalhezinha do pode parece que demonstra a condição da pessoa pra aceitar a orientação sexual do outro – quanto menos afeminado ele for, menos me lembra que é gay. Em segundo lugar, o afeminado mais uma vez é visto como algo somente negativo – nunca se cogita as qualidades que alguém mais afeminado possa ter, além do que, o que se considera como defeito pela sociedade, nem por isso será na essência um defeito.

Voltando ao caso familiar, a namorada se sentiu traída, pois em tanto tempo nunca desconfiou, e sabendo que suas roupas e maquiagem eram usadas, entrou em surto. As demais, tentam dar-lhe apoio pelo seu “sofrimento“, e conceituam por doença o que na verdade é uma tendência comportamental, uma maneira de ser, um gosto ou até mesmo uma necessidade.

O que vejo é a namorada cobrando o namorado para que ele nunca mais faça isso. O namorado fugindo dos problemas, não procurando também ser compreensivo consigo mesmo. As pessoas ao redor tomando as dores e agindo com preconceito, com ignorância e sem imparcialidade.

Tenho de confessar que não tenho pena desta namorada. Até me solidarizo pelo sentimento que é difícil de enfrentar e se compara ao experimentados por aqueles que convivem com gays que de repente se assumem – de repente eles sentem como se não conhecessem mais aquele filho, amigo, parente, parecem estar na frente de um estranho que traiu por não contar nada.

Porém, devo dizer que, como em muitos casos, o sofrimento maior nasce da ignorância das próprias pessoas. Se você é preconceituoso com as coisas, as coisas não necessariamente vão sofrer ou mudar pelo que você acha, porém a própria pessoa é que se causa um enorme caos porque de repente não consegue se apegar mais ao amor do que a seus valores, por vezes conservadores. Enquanto cobra, é cobrada; está presa nas suas próprias conceitualizações sem se abrir. Parar de sofrer compete a querer seguir em frente na sua evolução espiritual (aproveitar as oportunidades da vida para se melhorar como indivíduo) – alguém lembrou do que, e como, a coisa ocorre nos umbrais?

Não são poucos os casos dos homens que se vestem com peças femininas, sendo heterossexuais, e que o fazem até mesmo em fantasias com suas parceiras ou em momentos nos quais se encontram sozinhos. Alguns se perfazem de drag queens, e a lista só cresce. O que acontece é que uma vez que a cultura machista considera como normal apenas a polaridade homem x mulher como única forma natural de orientação sexual, logo tudo que possa o homem apresentar do lado da mulher – alguma característica – lhe põe como homossexual, ou no termo mais comumente usado pelos colegas heterossexistas (adeptos da teoria), “viado”.

Não nos deixemos enganar também, que vítimas de preconceito sejam por si só mais elevadas.

Os próprios homossexuais muitas vezes se dividem e se atacam, ou então têm atitude preconceituosa em relação aos outros – heterossexuais, afeminados e principalmente os bissexuais – que também entram na tendência julgadora do “tem que ser isto ou tem que ser aquilo, tem que ser ‘homem’ ou tem que ser ‘mulher’”.

E leia-se por homem: Ativo e másculo.

Por conseqüência de na sua criação não experimentarem os valores e atitudes considerados femininos, muitos homens acabam por “recalcar”. A alma, porém, não é masculina e nem feminina, portanto os valores que menciono também em essência não são… A alma tende à totalidade, a uma nuance de feminino completando e se confundindo com o masculino.

O feminino porém anseia por sair, e como ele sai?

Já que a pessoa não vivencia àquila à sua forma, do seu jeitinho pessoal (como se fosse tunar as características à sua essência e não ao seu papel imposto), aquilo será colocado em algo externo e de maneira incosciente (sen pensar no porquê ou como acontece) – uma admiração muito forte (quase um endeusamento) por uma mulher famosa ou uma amiga, uma irmã, uma mãe, avó, etc. – vestir peças femininas na tentativa de experimentar aquilo sendo momentaneamente um andrógino ou uma mulher, tendo este direito. – manifestações artísticas, culturais, etc.

A mesma coisa ocorre com as mulheres, porém nelas acaba havendo a idelização do homem – principalmente do parceiro.

Uma vez que precisamos conhecer e juntar os pedacinhos do nosso jeito pessoal, qualquer relação ou vivência que não permita esta possibilidade, estará fadada ao abalo.

Se a energia feminina não for aceita e agregada no homem, logo tem-se por aí esse índice absurdo de infartos e problemas cardíacos em jovens, adultos e idosos. Isso porque uma das coisas que o Patriarcado considera como feminino é a “emotividade”, e ela em energia se refere ao Chakra Cardíaco – logo, ao coração. Demonstrar amor, apreciar o belo, gostar do belo, desejar o belo, afabilidade, doçura, delicadeza, gentileza, receptividade, calor humano… Tudo isso são ótimos remédios, pena que muita gente não se permite.

Recado dado, espero que as pessoas ainda possam melhorar um pouco mais. Eu me incluo nisso também, pois às vezes fico bem indignado! (e preciso pegar mais leve pelo bem do meu fígado e do meu cérebro)

Mais uma vez bato na mesma tecla: Seria bom se no mundo as pessoas aprendessem a conhecer a natureza do outro e se respeitar, seja os pais com os filhos, filhos com os pais, entre amigos, entre amados. Haveria menos violência, talvez, e mais realização pessoal.

Falei demais.

P.S.: Alguém se deu conta de que o casal gay daquela nova das 21h que passou recentemente, só foi bem aceito justamente porque não parecia gay segundo a opinião pública? Eram “homem normal”?

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Pouca Coisa

Quarta-feira, Outubro 24, 2007 · 2 Comentários

E muito trabalho!!!

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O Dia de Hoje

Domingo, Outubro 21, 2007 · 1 Comentário

Fui criado numa família “Católica”. Ponho o termo entre aspas porque meus pais não seguiam a religião, senão por costume ou conveniência social. Lembro-me de que era preciso - leia-se obrigatório - que eu realizasse a 1ª Comunhão. Lá na minha época era uma preparação de 1 ano indo a encontros com uma professora, ou catequista, que era encarregada de passar todos os aspectos da Igreja e do signficado do momento.

Fiz a minha talvez com 10/11 anos porque lembro que meu pai estava vivo ainda. Como sempre fui ligado à espiritualidade, este foi um primeiro momento onde eu pude me dedicar a algo que estava além do físico. Fui em quase todas as aulinhas, mantinha meu material organizado, pintado, completo.

Quando chegou naquele dia, meus padrinhos (que também haviam sido escolhidos por conveniência dos meus pais, por eles, e para eles e não para mim) não compareceram – o que é de praxe se pedir que o façam. Igualmente, quando chegamos em casa, e eu todo animado, pela manhã ainda, meus pais se dirigiram ao quarto para continuar a dormir, assim como estavam minhas irmãs todas que não haviam ido. Fiquei sozinho, em um apartamento duplo, enorme, me sentindo como se um balde de água fria tivesse caído sobre o meu coração.

Na hora do almoço, nenhuma menção especial, nada. Aquilo parecia não ter tido significado. Engraçado que em outras festas posteriores de comunhão, meus familiares participaram animadamente – tratando-se de outros catequizandos.

*

Ontem meu namorado insistiu para que eu fosse na 1ª Comunhão da sobrinha dele, que eu gosto muito. Fiquei com 2 corações, pois tenho prova e trabalho pra entregar, mas acabei pegando carona e indo pra casa dele. Quando cheguei lá, já vi que ele estava diferente, e o que é muito comum acontecer quando está na frente dos familiares e “amigos”.

Procurei não dar atenção a isso, até porque eu estava mal devido a um spray fitoterápico que utilizei no ensaio do coral e que não me fez bem. Passamos uma noite estranha, e eu me perguntando o que eu poderia fazer… Mas não podendo negar que não vejo mais aquele mesmo olhar de antes, o mesmo toque, embora ele diga que me ama e que quer ficar comigo.

Pela manhã a experiência de ir à Igreja – tanto tempo depois, talvez faça mais de 1 ano e meio desde a última vez que apareci dentro de uma – foi desastrosa. Como sensitivo fiquei chocado com a quantidade de pessoas, a maneira com a qual as missas são professadas, e a falta de desejo de experienciar Deus. A sensação que tive é que as pessoas vão para louvar suas necessidades, resolvê-las ou para aparecer.

Não me senti num culto religioso, mas num evento social.

*

Do lado de fora, enquanto a missa rolava solta lá dentro, já havia visto a sobrinha mencionada, e fiquei feliz pelo momento dela. Só que relembrando os problemas meus e do meu namorado, decidi ir embora, ir embora de vez. Voltei e comentei que estava indo, e logo após buscar as coisas na casa dele, peguei um custoso táxi – nem tanto pelo preço financeiro, e vim pra cá.

Ele me mandou algumas mensagens, e claro que havia enviado uma me explicando. Sempre diz a mesma coisa, que me ama e tudo o mais. Mas parece que são apenas momentos em que eu vejo isso… E tão logo some, quando não é conveniente aparecer. Não quero que alguém necessariamente me assuma publicamente, mas não há nada que se compare à cumplicidade de um olhar mesmo quando nada pode ser dito.

Também me culpo muito por ser como sou… As pessoas me chamariam talvez de “galinha”, embora eu nunca tenha traído ele e nem fosse fazer isso. Às vezes me sinto preso de mim mesmo, condenado a um modo de pensar, e do qual eu não consigo fugir. Gostaria de ser uma pessoa que sentisse menos ciúme, ou que não se importasse com os detalhes, ou fosse afeito a essas conveniências sociais e shows de axé.

*

Eu me senti de repente estar invadindo um momento que não era meu, e de uma família que eu não faço parte. Imaginei nos anos seguintes eu em meio àquela lembrança, até em alguma foto, e de repente longe. Isso me fez sentir tão mal… E desejei não estar ali.

E o meu desejo se cumpriu.

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Rabiscos

Sábado, Outubro 20, 2007 · Deixe um comentário

[vendo o coração que eu tinha desenhado, na salinha da Nay]

- Eu ia adorar ver esse casal junto – disse-me a professora.

Pois é.

Estamos num tumulto enorme na faculdade com provas e trabalhos – novamente os maléficos de Farmaco e Neuro, dobradinha. Afora isso meu projeto de Arteterapia II vai ser com homossexuais.

O coral me deixou desanimado na semana passada. Sinto que as coisas não estão favoráveis e também que a energia do grupo – incluindo aqueles que não cantam – não está harmônica. Quando as coisas ficam assim, em qualquer setor da vida, sempre é mais difícil seguir ou resistir. O mecanismo natural faz com que lentamente as pessoas que não se afinizam à energia dominante – boa ou má – se afastem.

Pensei em sair, cheguei depois do ensaio pensando chateado nessa forte hipótese. Porém, hoje estarei lá de novo… Só não está mais sendo divertido, não há mais “leveza”.

Meu namorado conseguiu um emprego novo, está um pouco mais tranqüilo. Eu com ele, acho que tenho tentado dar prosseguimento, mas às vezes páro e penso no que quero pra minha vida e aí então não tenho certeza.

Às vezes acho que sou  muito imaturo ou infantilizado. Quando observo os outros caras, os outros homens, parece que não me vejo daqui a 10 anos sendo mais adulto ou preocupado com coisas mais “sérias”. A sensação que tenho é que vou ficar assim, meio crianção, embora não seja o tempo todo.

O que quero dizer é que tenho um lado que é mais compenetrao e racional, mas existe tão mais em mim de brincadeira e de rir, de me preocupar com filmes, desenhos, e outros… Como se o tempo não passasse.

Talvez por isso me atraiam os homens mais velhos, ou simplesmente mais resolvidos.

Tenho tido sonhos que refletem a minha preocupação.

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Lembrete

Quinta-feira, Outubro 18, 2007 · Deixe um comentário

Quando for desenhar figuras inspiradas nas cartas do tarô, o melhor é fazer uma releitura pessoal ao invés de uma tentativa de cópia aprimorada. O importante nas lâminas não é retratar apenas a imagem, mas captar a essência e retratá-la.

Isso significa: Uma hora de trabalho, um desenho no lixo. :)

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Ponto Zero

Quarta-feira, Outubro 10, 2007 · 2 Comentários

Atualização, “Um Triste Desabafo”: http://ponto0.wordpress.com/.

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PhotoGraphic

Terça-feira, Outubro 9, 2007 · 2 Comentários

Yeah

^jaleco, jaleco.

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É, é, é

Terça-feira, Outubro 9, 2007 · 1 Comentário

Passou um pouco esse tempo ruim. Agora tenho diversas coisas pra tentar resolver. Algumas delas são: Projeto de Arteterapia, o jornal independente do curso, e os meus trabalhos artísticos.

Por falar em Arte, recebi uma ligação que me deixou feliz, um grande companheiro de coral, o Astor, ligou comentado que vai falar com o nosso regente sobre a possibilidade de ser criado um pequeno grupo além do coral. Esse grupo com algumas pessoas permitira cantar músicas mais variadas e também outros planos secretos, he.

Meu namoro anda na média. Ele anda bastante preocupado com não conseguir emprego, está difícil, e pensando também em mudar de área de estudo. Tenho dado menos palpites sobre a vida dele, e mais apoio, e mais ouvido. A última vez que teci algum comentário foi no sábado quando ele estava muito pra baixo e eu havia posto minhas cartas. Foi só.

Gostaria de pegar alguma coisa que me permitisse ganhar dinheiro, mas com provas e trabalhos exigindo demais de mim, não sei bem como eu lidaria – se conseguiria equilibrar as coisas. Talvez eu devesse trabalhar com coisas mais minhas, quem sabe retomar as tentativas de pintura? Não sei.

Por hoje é só

Estamos num período em que a energia de um novo mundo está se tornando  mais e mais presente. Aqueles que se afinizam a ela provavelmente sentirão mais as características femininas em si mesmos, e nesse caso, dependendo de como você lida com o feminino, choques ou conforto. De qualquer maneira isso tudo nos leva a um momento bastante singular em que diversos projetos ligados à arte estão favorecidos, porém coisas mais “sérias” (referentes ao seu rumo e missão) vão estar precisando de mais tempo de espera. Cuidado com quem você convive e anda, procure se cercar de pessoas que o fazem bem. Caso esteja sentindo – e isso é natural – vontade de estar mais caseiro, procure locais que te façam sentir bem também – onde você deseje estar, e permaneça lá.

Em breve as velhas estruturas vão estar iniciando a ruir mais visivelmente. Quem estiver respirando novos ares poderá notar melhor. A convivência com as pessoas poderá dar boas evidências se for melhor observada. ;)

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Crash

Quinta-feira, Outubro 4, 2007 · 1 Comentário

Hoje o dia está péssimo. Essa noite passei por um problema de relação familiar, digamos assim, e que me afetou profundamente. Estou desanimado com toda a minha vida, pra dizer bem a verdade, desiludido com o mundo.

Não se pode confiar nas pessoas. E no final das contas, quando sobra só você… E você nem sabe direito quem é, ou o que faz aqui, é como se não restasse nada.

Não consegui dormir essa noite… Tive hoje uma proposta de estágio recusada por não se adequar à área do curso.

Não sei, não sei o que fazer.

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