M e u S i l ê n c i o

Entradas do Abril 2007

Frases

Quinta-feira, Abril 26, 2007 · 4 Comentários

Madre Tereza de Calcutá Madre Tereza de Calcutá

“A paz começa com um sorriso.”

“Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las.”

“Uma vez me perguntaram porque eu não participava de manifestações anti-guerra. Eu respondi que nunca faria isso, mas assim que fizessem uma reunião pró-paz, eu estaria lá.”

“Solidão e o sentimento de não ser querido são a mais terrível pobreza.”

“Palavras gentis podem ser curtas e fáceis de dizer, mas seus ecos são verdadeiramente infinitos…”

“Não espere por líderes; faça sozinho, pessoa a pessoa.”

“Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos.”

“Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz.”

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Delicadeza

Quinta-feira, Abril 26, 2007 · Deixe um comentário

Conversar sempre é bom. Às vezes não podemos mencionar fatos que envolvem sigilo como o caso do que a Nay me disse, mas sempre se pode ir por outros caminhos… Afinal de contas o dicionário é bem extenso, só tem que saber usar.

De qualquer maneira ontem à noite conversei com meu namorado sobre algumas várias inseguranças minhas, e ele falou sobre as dele. Quando a gente conversa sério, sempre é agradável e a gente sempre se entende.

Mas acho que no fundo eu queria um tempo também pra galinhar no RS, em casa, nesse final de semana.

Eita eu! :D

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Pensamentos Velados

Quarta-feira, Abril 25, 2007 · Deixe um comentário

O título do Blog é “Meu Silêncio” justamente porque quando eu o idealizei, queria expor aqui as coisas que até mesmo eu não queria escutar – ou ler – vindas dos meus próprios pensamentos. Por isso é “a voz que ecoa dentro da mente”.

*

Não ando feliz.

Tenho medo e acho que essa infelicidade é devido ao meu namoro.

Meu namorado é querido, amável, carinhoso. É compreensivo, e também tem seus momentos de piração como eu tenho os meus, e quase sempre pra nossa alegria eles acontecem na mesma hora. Cozinha super bem, trabalha, tem uma predisposição a cuidar de mim e é alguns anos mais velho.

Só que mesmo assim as coisas não me parecem boas… Não que eu seja insatisfeito inveterado e não que eu não tenha certeza que tenho traumas, principalmente sexuais, da infância. Errado. Eu sei dessas coisas… Mas…

(sempre tem um “mas“)

De uns tempos pra cá tenho sentido necessidade de estar sozinho e por diversos motivos algumas coisas me aborrecem. Tem uma brincadeirinha que eu tenho verdadeiro pavor que é ficar falando de “ex”em momentos super-impróprios ou comentar sobre a beleza alheia, mantendo aquele cantinho de olho no ouvinte pra ter certeza que ele está aborrecido, some-se a isso um sorrisinho de quem sabe o que faz.

Isso por si só acrescido á fase chata que tô passando, não seria tão suficiente pra me fazer repensar. Só que teve um detalhe… Na sexta passada meu namorado foi conversar com minha amiga Nay na casa dela,  e conversa vai, conversa vem, ela me contou hoje de manhã que ele trocou meu nome pelo ex dele que fica sempre mandando mensagem e indo atrás.

Isso não seria tão mal se um dia na semana passada ele tivesse me ligado com a voz péssima porque tava com pena do ex, todo mexido por dentro (lembrando que o Rafa aqui é sensitivo). Fiquei bem chateado e acho que a partir daí, quando pensei em dar um tempo, a coisa foi ficando assim dentro de mim.

As coisas entre nós aconteceram rápidas, e se eu não gostasse do guri, não estava me importando.  Não sou mais o mesmo menino de antigamente que ficava sofrendo achando que tava com o único homem do mundo e precisava se agarrar a ele não importando o sofrimento.  Se eu precisar dar tempo e terminar, mesmo gostando, mesmo sabendo que vou sofrer, eu vou fazer…

Já passei por muita coisa, muita mesmo, em virtude de não ter tomado a atitude certa na hora certa.

Continuando, meu namorado está sempre perguntando insistentemente se eu gosto dele, se eu vou ficar com ele pra sempre, se eu isso, se eu aquilo… Assim como ele também fica me dizendo que me ama, e que não quer que eu deixe ele, etc. Afora isso está sempre tentando de alguma maneira, inclusive comprando coisas, confirmar que gosta de mim.

Fico pensando que tanto movimento, pode estar servindo justamente pra ele não parar e pensar. E eu tenho medo disso… Por mais que ele goste de mim eu não quero conviver com um fantasma de uma coisa mal-resolvida dentro dele. Eu não gosto disso, e eu também não quero fazer alguém passar por isso.

Hoje tô assim meio triste, até o tempo me acompanhou, está nublado…

Minha comparsa de todas as horas, Lu Safadzinha, me aconselhou a ir pra casa e tomar uma decisão só quando estiver de cabeça fria. Que é a melhor coisa a se fazer e ela mesma foi pra casa e conseguiu se livrar do peso que estava sentindo nos últimos tempos. E é exatamente isso que vou fazer, hoje cheguei da aula e logo comprei minha passagem pra casa, irei amanhã e retorno provavelmente na segunda-feira.

(detesto viajar em começo e fim de feriado devido ao intenso movimento)

Não sei o que vou fazer, não sei mesmo, por mim, hoje, eu pediria um tempo pra mim.

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YouTube

Segunda-feira, Abril 23, 2007 · 1 Comentário

“Paradise / Not For Me” [Madonna]

The Confessions Tour…

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Atualiza-me!

Quinta-feira, Abril 19, 2007 · 2 Comentários

Devil Wears Prada

Cansado, cansado e estressado.

Sempre que eu te ligo tu estás assim, estressado…

Engraçado que às vezes a gente passa muito tempo sem perceber o que está acontecendo na nossa vida.

Tá, tudo bem… não exatamente na nossa vida, mas o jeito como a gente têm estado.

Nas últimas semanas, especialmente na última, tive uns bons problemas de estômago e/ou fígado, aliado a uma péssima alimentação. Decreto de dieta? Hum, nem escrevendo convence. Tudo por água a baixo num bom chocolate, xis e o escambal. Ah sim, claro, com refrigerante também – aquele mesmo que eu escrevi um post imenso aqui dizendo que ia tentar parar.

Caso é que até que alguém me prove o contrário, o ser humano tem um instinto suicida pra se alimentar… Sempre gostamos daquilo que em geral vai fazer mal, do que engorda, do que dá peso no estômago e por aí vai

Mas também sei lá… Têm fases e fases; parece que em algum momento a gente realmente reflete no que a gente come um pouco daquilo que está por dentro. É como se tu usasse a comida como combustível, mesmo inconscientemente, pra dar manutenção ao teu estado de espírito.

De qualquer maneira, já ando com meus problemas pessoais no namoro… Sempre eles. Mas o que eu posso fazer? Sou alguém que tem medo.

Nunca tive experiências boas… Acho que no fundo fico sempre querendo arranjar uma desculpa pra pular fora quando a coisa tá começando a ficar séria. Como se tentasse me convencer que a melhor coisa é terminar, antes que termine.

Como já escrevi aqui antes eu não tenho mais pretensão de arranjar um amor pra vida inteira, nem grandes acessos de paixão. Às vezes acho um pouco estranho isso… E ao mesmo tempo parece que ainda não aprendi a viver ou a estar só no presente, ou estou no passado, ou estou pensando, inventando, medindo o que nem aconteceu ainda.

“Ainda”.

(e que não vai necessariamente acontecer, óbvio)

Não tenho tirado fotos, não tenho escrito e não tenho desenhado. Engraçado né? Tudo isso reflete muito o interior, muito a imagem… E eu acho que eu tô saturado de verdade, não tô querendo ver e nem lidar com mais nada que tenha relação a mim.

Essa coisa de se conhecer, de se entender, isso tudo é muito bom e se eu não acreditasse no benefício disso tudo eu não estava no curso que eu estou… Acontece que quando a coisa tá se aprofundando, mexendo, a tendência de todo ser humano é resistir. E aí acontecem desde fugas da terapia, até o mais simples traço de escape qualquer de si mesmo.

Tô preocupado com isso? Bulhufas. Tô nem aí, exceto pelo fato de que nem tempo pra mim mesmo eu tiro. Claro que no Yôga é um tempo pra mim mesmo, mas são 3 horas por semana. Pouco se tu quiser ainda ser você mesmo, continuando vivo e/ou saudável.

Minha mãe brigou com meu padrasto, vai trocar o carro… Minha irmã vem me visitar no sábado… O coral até que tá legal (hoje temos uma apresentação)… A faculdade tá indo… Mas e aí eu páro e penso, “e eu?”. E eu nisso tudo?

Sei lá.

Assisti a The Confessions Tour da Madonna. Gostei pacas… Mas meio nostálgico em alguns momentos. Também confesso que não curto muito as backing vocals dela participarem pouco das coreografias, e aquela molecada toda satura um pouco pulando de um lado pro outro o tempo inteiro.

Hoje tive um sonho, uma mulher me dizia, quase posso ouvir a voz dela ainda: “Você veio fazer algo muito importante no mundo”.

E hoje… Ah hoje… Hoje eu tava no intervalo de manhã, com duas colegas dormindo, outra fazendo grouding no chão, e mais outras duas filosofando. Uma moça entra falando que se alguém quisesse participar, ao meio-dia, estariam tirando fotos Kirllian do dedo médio e indicador pra fazer um estudo sobre problemas cardíacos, mas teriam que ser voluntários saudáveis pra comparar com outro grupo com desarmonias dentro do Hospital de Caridade.

Responsável? O professor, aquele.

Cheguei no lugar, eu e a Tina Turner, e quem estava lá? Sim, claro, o professor que eu já citei aqui antes. Ultimamente andava meio antipatizando com ele, mas não adianta… Olhar pra ele, nossa, como é bom. Ele deve ter a idade do meu namorado.

Enquanto ele tirava as fotos da Tininha e do outro cara que tava lá, junto com a menina da pesquisa, eu estava falando com ela, que já está se formando, perguntando o que era bom pra Afta. Aí ele disse que também tava e quase ao mesmo tempo ele mostrou com o indicador por fora da boca, claro, onde tinha. Insólito: No mesmo local que eu, só que a dele no lado esquerdo e eu no lado direito!

Depois ele pegou nos meus dedos pra tirar a foto, e eu olhei nos olhos dele… Olhos castanhos, meio claro, tão lindos. Tsc. E aí vim embora depois.

Eu sei que eu tô namorando, tento me controlar, admito que sou muito galinha de verdade. Mas com o professor esse é diferente… É uma sensação diferente, desde a primeira vez que eu o vi e nem sabia que ele dava aula. Mas eu nunca existi pra ele, e deve me achar um bobo estúpido.

(suspiro)

Não tô mais a fim de falar, por enquanto é só.

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Inquietação

Segunda-feira, Abril 16, 2007 · 2 Comentários

Trabalhar em grupo é difícil. Aliás tudo que envolve gente é complicado.

Eu ando um pouco conflituoso em relação a estar com as pessoas… De maneira geral tenho andando bastante sozinho ou com os amigos muito próximos. Também talvez eu esteja realmente mais sensível do que antes, porque percebo as pessoas quando estão estranhas, mais grosseiras ou meio interesseiras, e isso me refrata.

Não sei o povo anda estranho nos outros lugares, ou se é só aqui, mas parece que o povo tá muito insatisfeito e ao mesmo tempo com a sombra pulando pra fora do corpo. Entenda-se por “sombra” a parte mais escurecida de nós, acho que eu poderia definir como o nosso pior, mais feio, mais torto, tudo que é desarmônico e gerador de desarmonias.

Ou quem sabe simplesmente estejamos num período onde as máscaras estejam caindo. E aí tu vês realmente como o outro é de verdade, e nem sempre essa manifestação é coerente com a imagem que tínhamos.

Acho que isso vale pra nós mesmos, às vezes não apenas nos decepcionamos com nós mesmos, mas percebemos como somos mesquinhos. Eu por exemplo, tenho visto o quanto sou intolerante e cheio de idéias que quando pré-concebo, custo a largar, custo a rever… Não gosto de estar errado, mas pelo menos tenho visto que quando estou, também não fico tão endurecido quanto antes no sentido de não aceitar mudar de ponto-de-vista.

Voltando a grupos… Tanto faz se é um grupo familiar, de trabalho ou de amigos. Às vezes parece que surgem tantos conflitos e problemas, e fica tão difícil lembrar que o outro, mesmo “hierarquicamente” superior ou inferior é também uma pessoa. Acho raro alguém conseguir realmente abstrair o lado pessoal do profissional, e não se incomodar com uma crítica ou não “marcar”.

Sinto que o movimento tá muito grande. Acho que é um reflexo desses tempos que estão terminando… Quando os animais começam a se inquietar, ao perceber que algo não está bem ao longe. Assim tenho visto as pessoas e até eu mesmo. Tá difícil se manter, passar por isso, estar forte. Tenho enfrentado problemas antigos.

Ando inquieto, é verdade, nem sei bem porquê, e tudo aquilo quando não sabemos o porquê, merece atenção redobrada…

Minha meta atual é ficar mais comigo mesmo, ainda mais. Preciso cuidar de mim, da minha saúde, me respeitar. E os outros, são os outros. Tô tentando aprender a lidar.

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Mais Um Dia

Terça-feira, Abril 10, 2007 · 4 Comentários

Hoje tive uma aula interessante… Aprendemos um pouco sobre Reich e fizemos uma experiência de “Grounding“. Achei legal porque usa técnicas voltadas para o corpo a fim de liberar e trabalhar as emoções, dentro do enfoque psicanalítico.

Também de tardezinha fui fazer uma aula experimental de Hatha Yoga e confesso que gostei muito. É suave e se trata de uma linha que se volta ao aspecto físico e à integração entre ele, a nossa essência, e a nossa vida. Algumas coisas lembraram um pouco a experiência da aula da manhã, e tive dificuldades: o corpo treme, o suor surge, e custa acreditar nisso porque os movimentos parecem tão simples de serem feitos, sem pressa e num ritmo muito calmo.

Continuando a saga de ontem, hoje achei que meu namorado talvez não estivesse muito legal. Ele sempre costuma me dar uns toques, mandar mensagem ou até ligar, mas depois da noite de ontem, quando nem falou muito, meio que desapareceu.

Por tudo que já passei, já fiquei com o pé atrás e pensando negativo.

Mas de noite, quando voltei do Yoga ele me ligou e aí conversamos… Ele me contou que demorou duas horas até criar coragem e conseguir falar pra mãe dele. Que ela ficou com uma expressão diferente, passou um pouco mal, disse algumas coisas fortes, mas que depois ficou numa boa e pediu um chocolate.

Ele comentou que apesar do alívio, sentia algo estranho dentro do peito ainda. Me agradeceu pelas mensagens, disse que ajudaram ele a tomar a decisão e etc.

Ainda na nossa conversa, comentei com ele que talvez a gente sinta essa “estranheza”, mesmo estando tudo aparentemente bem no pós-conversa, porque sabemos no fundo que a pessoa pode reagir só depois.

O que quero dizer é que tem diversas pessoas que demoram a realmente assimilar o que o fato representa. É quase um estado de choque leve… E então depois de um tempo que pode durar umas horas, dias, semanas, ela tanto pode extourar num acesso de despejo de emoções (choro, crises, brigas, etc.), reagindo tardiamente, ou simplesmente não – pode ficar na dela, sem que nada disso ocorra.

Um exemplo disso é quando a gente leva um comentário desagradável e só se dá conta do valor ácido depois de um tempo, ou quando está contando pra outra pessoa. E aí depois tu pensa, “podia ter respondido isso ou aquilo“. Ou também, e mais claro eu acho, quando tu concorda com algo e só depois tu pensa no absurdo da roubada que tu entrou…

De qualquer maneira, esse período do pós-contar traz o alívio de não ter de se esconder, acompanhado do medo ou da expectativa do como vai ser.

Pelo que ele contou, hoje ele chegou em casa e ele e a mãe dele conversaram numa boa, almoçaram juntos, como sempre fazem, e a tarde passou normal. Até ela entrou no quarto dele, e como ele tinha comprado um ovo de páscoa pra consumo própria sem ela saber, ela perguntou de quem era ou pra quem era, e ele falou que era pra ele e o outro pra uma amiga. E ela: “Aham, sei“.

Eu com minha mãe desde o momento em que contei, não lembro de ter percebido uma reação negativa. Ou pelo menos se ela teve, não usou isso ou transformou num ataque me tendo como alvo.

É delicado também uma outra coisa: A tentação do fingir que nada aconteceu. E aí têm pessoas que caem nisso, tanto quem conta, quanto quem ouve… Meio que uma fuga da realidade que inclui, ao longo do tempo, até mesmo “dicas” ou indiretas como se nada realmente tivesse acontecido – como por exemplo, menção a namoradas ou fulanas.

Bem, de qualquer forma todo mundo precisa de tempo. Assim como a gente não tem culpa de crescer tendo de agir meio escondido, nossos pais também não aprenderam uma outra maneira de fazer… Só nos resta assimilar e um dia fazer diferente, ou propagar que pode ser diferente.

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Antes de Dormir

Terça-feira, Abril 10, 2007 · 7 Comentários

Tava indo dormir, mas resolvi voltar pra escrever de novo.

Hoje de noitezinha, meu namorado me mandou uma mensagem dizendo que pretendia contar pra mãe dele que era gay, e que faria isso hoje porque estariam só os dois. Perguntou o que eu achava…

Respondi que ele precisava consultar o coração dele, saber se ele sentia que era o momento. Comentei que antes de falar pra minha mãe, passei algum tempo preparando terreno, tentando conhecer, falando algo aqui e ali. Mas ele estava decidido.

Não sei exatamente como foi porque ele não me ligou de noite, mas mandou mensagem que tinha falado sim. Um pouco antes disso eu comecei a sentir uma angústia no peito.

Depois que cheguei em casa, pois estava na casa da Lu conversando – coisa que não fazia a um bom tempo, escrevi pra ele e ele respondeu que tava bem, mas que não conseguia dormir, etc. Depois de mais um tempo mandou mensagem dizendo que tava mais aliviado mas com um peso no peito – aí entendi o porquê de eu ter sentido.

Engraçado que quando tu conta pra tua mãe, ou pra pessoa que tu planeja, geralmente tu precisa criar muita coragem, especialmente se isso é algo novo pra ti. Você fala, e logo sente um alívio acompanhado de uma incerteza…

É a mesma coisa quando você descobre algo de alguém, às vezes quando é muito íntimo fica o sentimento de que você não conhece mais aquela pessoa ali na sua frente. Assim ficam pais e amigos com relação a nós, muitas vezes. E aí inicia uma fase de re-conhecimento.

Muitas vezes esse “re-conhecimento” gera uma renovação positiva das relações, com uma humanização do outro e o desapego aos papéis impostos pela tradição familiar ou sociedade. Mesmo os auto-impostos… Como se, ao se revelar, em fraqueza e força, tu te tornasse mais humano e portanto mais próximo daquele que está ali, e este se torna mais à vontade pra expor a si mesmo.

Em outros casos, também, sabemos que as pessoas não aceitam o outro como gay, se revoltam… E se tu não está muito certo, não se sente afirmado ou seguro, forte, para se valorizar e dar a mão pra si mesmo, pode acabar entrando em várias ondas de culpa ou de tentativa de “cura”.

Acho que estas pessoas que se revoltam tanto, criam expectativas muito altas… E fogem tanto da pureza do sentimento, para não ter de encarar a si mesmas.

Graças a Deus com minha mãe foi tranqüilo, mas com minhas irmãs foi um pouco mais difícil este processo. No fim das contas, existem coisas muito mais importantes, e o que importa é o bem-estar e a felicidade de quem se ama, ou pelo menos deveria ser assim.

Acho muito delicado ter de contar aos pais ou responsáveis sobre sua orientação sexual. Isso é algo que poderia ser desnecessário se ao invés de sonharem com seus filhos formados médicos, os pais aprendessem a esperar para conhecer aquele ser que está se formando, nascendo e crescendo…

Ao invés de fantasiar, dar voz ao filho. Estar sempre presente para guiá-lo sem imperativos, com jeitinho, com um zelo que lhe conceda certa liberdade. Seria tão bom se crescêssemos sem culpa pelo que somos, e nossos pais respeitassem e nos orientassem para viver uma vida digna e de bondade. Isto deveria ser educação.

Infelizmente não é assim e não apenas nós nos ressentimos ao nos depararmos com uma inadequação aos padrões, como sabemos que nossos pais escondem de si e de todos seu lado humano – falível e “pecaminoso”. Idealizamos sua imagem, somos idealizados por eles – em geral. Não aprendemos a vê-los…

Se mostram fraqueza ou “defeito”, muitos estabelecem uma barreira de inquestionável; do “sou assim e não vou mudar“. Impérios de eu mando, eu sustento, na minha casa, sob o meu teto, etc. Tudo pra esconder sua sombra, para não ter vergonha ou sentir tristeza e também culpa.

Outro quesito que pesa é “o que os outros vão pensar?“. Pensamos muito nisso, não apenas no sentido de demonstrar orientação sexual. Somos muito preocupados em sermos os bonzinhos, os lindinhos, os amadinhos por todos… Tudo pra ganhar elogio e aplauso. Pra conquistar respeito e admiração… Só que estas são duas coisas que não se compra, nem se pede ou barganha: É algo que a alma e a presença por si só são capazes de emanar.

Muita gente por aí está criando seus filhos pra bonito. Pra ser lindo aos olhos do mundo, pra ser como um bichinho sócio do Pet Shop: Ter todos os acessórios da moda, o pêlo mais bonito, o melhor isso, o melhor aquilo, etc. E cobram dos pequenos uma maturidade adulta que só existe na ficção e em novelas, ou filmes – e que hoje é raro até mesmo nos ditos adultos.

Um mundo melhor não vai nascer de atitudes extremistas. Uma nova realidade ou maneira de pensar não vão surgir por imposição de idéias aparentemente corretas, ou politicamente corretas… As coisas só vão realmente funcionar quando as pessoas passarem a sentir o que é certo como sendo realmente certo. Uma verdade nunca funciona se você não sentir que realmente seja verdade, por mais pensamento lógico aplicado que exista na sua cabeça a respeito dela.

Pra demonstrar ao mundo algo bom, é preciso não apenas aprender a valorizar o que realmente faz bem, mas também como viver isto, sentir isso, emanar isso naturalmente, sem guerras.

Odeio o termo “guerra contra …”. A vida precisa de paz e de harmonia, de compreensão, respeito por quem erra, e também respeito por quem sabemos estar numa linha de pensar que julga certo e que julgamos ser errado. Guerra implica idéia de combate, ferocidade, morte, dificuldade, perda, opressão, dor… E não estamos aqui pra isso, não precisamos ir apenas por este caminho pra aprender algo.

Ao invés de Guerra, união…  Comprometimento, compreensão, divulgação, respeito. Pena que isso soa muito utópico, e que na vida real ainda existe muita gente combatendo a tudo, e se ferindo demais. Assim como aqueles que estão no poder ainda pensam assim… Ainda que cada povo tenha o governo que mereça.

Não temos bons exemplos… Não temos inspiração para a bondade.

Aff, quanta filosofia de buteco.

Só sei que seria ótimo se as pessoas soubessem se conhecer, seja entre amigos, seja entre pais e filhos, sem ficar criando tanta expectativa e pré-conceitos. Mas queremos sempre estar adiante, sempre pondo o outro nas nossas mãos pra ele nos satisfazer… Como é frágil este laço que une os homens e se rompe num simples desentendimento.

Às vezes agradeço a Deus, sem palavras, apenas na oração silenciosa do viver meu dia-a-dia, por ter nascido gay e por ter passado por tudo que passei sendo assim e sendo outras coisas também – porque não sou só sexo ou sexualidade – e ter chegado até aqui. Porque tudo isso me ajudou e ajuda a ver e a pensar no mundo e na vida com olhos mais reflexivos.

Pais, conheçam seus filhos. Filhos, conheçam seus pais. Dêem voz uns aos outros, dêem chance pra sair dos papéis pré-supostos e serem mais “ser humano”.

p.s.: Ponto Zero atualizado!

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Meta

Segunda-feira, Abril 9, 2007 · 1 Comentário

Fica desde já acertado que da presente hora, a contar das 3:15 PM do dia 9 de abril de 2007 – segunda-feira, pós páscoa – eu, Rafael, torno oficial a meta de eliminar 8kg extras do meu peso corporal.

O acima escrito é verdade e dou fé.

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Páscoa

Segunda-feira, Abril 9, 2007 · Deixe um comentário

Nesse feriadão minha mãe ia vir me visitar, mas infelizmente não pôde devido a alguns contratempos. Também não me animei a ir pra casa, até porque tinha prova hoje de manhã (histopatologia)… No fim, acabei nem estudando e passei a maior parte do tempo com o meu namorado – hum, estranho ainda pra mim usar essa palavra, enfim.

A prova estava fácil, a parte mais difícil era a interpretação, respondi tudo… Agora é só aguardar a nota.

Os meus dias têm sido assim meio ocupados e ao mesmo tempo desocupados. Acho que tô conseguindo administrar melhor o meu tempo e confesso que apesar de gostar muito de escrever, não sinto tanta falta de estar ligado na Internet.

Tô num período de estar mais interessado nos meus estudos, na faculdade, no coral… A produção artística não anda tão intensa, embora volta e meia me dê vontade de fazer alguma coisa. A espiritualidade também fica em momentos muito meus.

O acontecimento mais marcante foi que eu estava com o namorado aqui na semana passada e aí de repente eu virei o rosto na direção da porta como se algo tivesse chamado atenção e ao fazer isso ouvi um ruído – quase como aquele do filme “O Grito”. Senti uma presença muito incômoda, forte… Isso não acontecia comigo há muito tempo.

A coisa mais chata foi que eu e o guri estávamos jantando anteontem e aí o papo rolou pra um lado mais filosófico… E como meio mundo sabe, e o outro meio desconfia, eu sou muito espiritualista na minha visão de mundo e do ser humano. E não são coisas que eu “acho” ou que eu simplesmente “aprendo”… O que eu considero verdade, realmente é uma verdade que eu experimento e vivencio.

Acho que ele não é muito ligado nestas coisas, e bateu de frente comigo em alguns “tópicos”. Pra ele, cura, espiritualidade, etc. não fazem muita importância. É alguém que simplesmente não crê que exista vida depois que morremos, e ao mesmo tempo crê em Deus, o que é meio paradoxal.

Eu acho que a gente que é mais sensível, sensitivo, médium, etc. no fundo gosta de ser admirado pelos outros. Admito que ser tratado de maneira especial por ser sensível é uma delícia. Muito porque, por exemplo em mim, é algo que faz parte do teu ser, da tua manifestação mais bonita da Alma, e todo mundo adora ser valorizado por aquilo que é.

Se eu vou falar dos meus valores, ou pensar no que eu tenho de bom, certamente eu coloco a sensibilidade com relação às coisas, aos outros e aos acontecimentos, na lista. Eu amo ser assim e me sinto realizado ao pôr em prática este meu lado.

Mas é interessante como a vida traz as pessoas até você, justamente aquelas com as quais tu precisa realmente conviver e as que vão te ensinar algo. Não exatamente num sentido pedagócio aluno-professor, mas através das situações que se criam, os questionamentos, os impulsos que te levam adiante ou te fazem rever a ti mesmo.

Eu admito que preciso aprender a gostar das pessoas de uma maneira mais incondicional, mesmo quando elas não vejam o mundo da mesma maneira que eu. Volta e meia me torno crítico e por vezes intolerante com relação ao que os outros pensam – principalmente quando entra muito em choque com o que eu penso.

Fiquei pensando durante um bom tempo se, por causa dessa leve discrepância, eu realmente deveria continuar com o guri. Pesei as coisas, vi que gosto de estar com ele, e com exceção disso o resto é muito bom… Eu não posso querer impor meu estilo de vida ou de ver a vida aos outros. Não digo que ele não valoriza minha sensibilidade, mas faz de uma maneira diferente e isso também eu tenho de aprender: as pessoas gostam das coisas de formas diferentes.

Não tenho mais a antiga ambição de namorar alguém pra sempre, nem penso nisso. Tô gostando dele, de curtir ele, e do nosso namoro que começou agora. Tem uma identificação, uma cumplicidade…

Acho estranho falar namoro porque acho tudo rápido e intenso, logo “cedo”. Mas não tem outra denominação pra dizer o que a gente tá experienciando.

Voltando ao assunto, é como eu comentei em outro post, falando sobre “uma questão de alma”. É muita pequenez tu condicionar o teu gostar, o teu carinho / afeto, apenas a quem tu simpatize e que vá na direção que tu vais… Uma das coisas que o homem deveria exercitar mais é justamente o amor incondicional.

Numa relação a 2 podem existir diferenças, mas o que não pode faltar nunca é o respeito ao outro.

Não sei pra onde esta parte da minha vida tá me guiando, só sei que estou gostando de caminhar nesta nova trilha. O que vou aprender, a forma como vai acontecer, nada disso eu sei… Porque viver é sem dúvidas uma grande aventura.

Viver é ótimo.

Que bom que não deixei a minha depressão me levar a 2 anos atrás.

:)

p.s.1: Feliz Páscoa! Viva o chocolate e os coelhos libidinosos!

p.s.2: Fiquei frustrado porque loquei o DVD “Má Educação” (Almodóvar) e tava arranhado, não pude ver nada além da metade do filme.

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