Ontem eu levantei tarde, e acabei nem almoçando. Arrumei-me direto para ir pro ensaio do coral. Eu não estava me sentindo muito bem, mas nem sabia exprimir exatamente o porquê deste sentimento. Só sei que acabei saindo de casa e indo pra faculdade.
Chegando lá, comprei uma água mineral sem gás, procurei pelo pessoal perto do auditório. Logo de início vi que eu estava mais a fim de estar sozinho, fiquei quieto, distante, observando o vento lá fora… Só me dei conta de que estava muito pior do que imaginava quando começamos de fato o ensaio e eu não conseguia fazer o aquecimento de voz direito, e na hora de cantar “Canção de Natal”, minha voz simplesmente não saía.
Um certo desespero tomou conta de mim, o que eu podia fazer? Peguei minha pasta, e saí de lá. Caminhei pelos corredores vazios do 3º pavimento, fui no banheiro, sentei durante um tempo nos degraus da escada e por fim fiquei olhando pra rua, lá no corredor de cima.
Dei-me conta de que estava tendo uma espécie de crise depressiva, como há muito tempo não acontecia.
No intervalo onde estive parado sentindo o vento e escorado na janela, percebi que estava chegando não apenas ao final do semestre, mas também enfrentando o fim de muitas coisas. E eu confesso que não sou bom em lidar com finais, com partidas, com perdas… Embora me adapte com relativa facilidade a situações, alguma coisa dentro de mim não consegue se desprender de tudo o que passa, é como se eu tivesse muito medo de sofrer e então tentasse carregar comigo aquilo que me desse “chão”.
É sempre assim quando me deparo com o fim e o intervalo que há entre o que está ficando para trás e o novo e desconhecido “próximo” passo.
Tô me sentindo meio inseguro com o fim do tratamento do CPN, com o fim das aulas, e com o meu iminente retorno a Camaquã. Lá, eu não tenho muitos amigos, eu não vou ter muito o que fazer, e também fico pensando que o tempo é muito curto pra desenvolver coisas e depois ter de deixá-las. Existe um lado de mim que diz, “o tempo por mais curto que seja, merece sempre ser vivido intensamento, porque é isso que o torna de fato um tempo bem-aproveitado”…
Só que como tudo que acontece, tem uma distância grande entre aquilo que você aprende e conhece, e aquilo que você está sentindo. “Sentir” algo às vezes trai muito do que você prega, ou aprendeu, ou está pré-conceitualizado na sua mente.
Eu só sei que eu tinha duas escolhas ontem: Ou pegava meus materiais e voltava pro Apartamento, ou voltava pro Coral e tentava cantar. E eu escolhi tentar.
Trocamos de auditório em função de um evento que ia haver no que estávamos, e logo eu estava sentado bem no canto. A princípio a dificuldade, a voz ainda não saía… Logo não conseguia pegar as notas, entrar no ritmo. E terminou que foi uma das vezes que melhor cantei em todo este tempo de ensaios.
No fim fizemos uma dinâmicas onde ficamos em círculos no chão, com 3 pessoas formando um pequeno no centro, outro em seguida maior – o que eu estava, e outro ainda maior de pé às nossas costas. E aí entoamos músicas, e na última, em Piano (som mais fraco), pude ver de fato que estava conseguindo cantar em conjunto, sem ter medo de expor a minha voz. O momento especial foi de pé, todos abraçados, cantando “Amor de Índio” (se não me falhe a memória pois eu estava bem emocionado), e eu entrei em uníssono com o Daniel, que é um dos meus colegas tenores dentro os que mais cantam melhor!
Nota do Autor (ai me achei agora, né?): Uníssono é quando as vozes entram em harmonia, ressonância. Como se formassem uma só voz.
Depois disso fui convidado pra ir pra casa ali perto de um casal de integrantes, e lá ficamos conversando muito e cantando também. Só passei em casa antes pra fechar janelas e arrumar umas coisas… Quando cheguei devia ser 1 da manhã.
Às vezes, portanto, ainda passo por momentos difíceis. Tenho realmente uma tendência a momentos depressivos, eu diria. Mas hoje vejo que a maneira pela qual passo por eles, é bastante diferente daquela de alguns anos atrás… E que a cada dia, sigo no meu caminho de vida, tentando crescer, tentando viver em paz.
Tenho muitos medos dentro do meu coração, incertezas, defeitos, virtudes, memórias, forças e fraquezas… E hoje vejo isso claramente. Não sei aonde isto tudo vai levar, mas eu sei de uma coisa, eu estou tentando.
Como está escrito no meu orkut: “Eu Sou a minha melhor tentativa”. E um dia falarei sobre isso aqui. Por hora, era o que eu queria dizer.