
Hoje, seguindo na minha rotina do “não-ficar-em-casa-parado-pra-não-pensar-naquilo”, eu fui viajar pra Porto Alegre com o grupo de jovens aqui da União Municipal Espírita. Fizemos uma baita festa daqui até lá, no antes durante e depois, com direito a música e ida a dois shoppings pra lavar a alma sacrificando um pouco de dinheiro.
Minha mais nova aquisição veio depois de séculos sem ter uma grana sobrando pra poder comprar um livro. Mas finalmente aconteceu e eu comprei, “Amor Sem Crise”, do Valcapelli. Trata-se de uma abordagem metafísica do amor, relacionamentos, sexo… Trata de explicar e mostrar a realidade por detrás das nossas mazelas e carências.
Mas eu tenho que ressaltar aqui, como não podia deixar de fazer, que eu conheci pela primeira vez na minha vida, e pessoalmente, uma pessoa de aura Ônix.
Pra quem não conhece, o termo “Ônix” tem origem naquela pedra de mesmo nome e que carrega a cor preta. A utilização desse denominação veio após o surgimento das chamadas crianças e pessoas Índigo e Cristais [\o_], cujo o oposto seria justamente os Musgo e Ônix.
Eu estava sentado no auditório quando vi alguém passar de costas, e aquela pessoa me chamou atenção. Em primeiro lugar porque era um alemão - e eu sou tarado por alemães e afins, rs. – e em segundo lugar por algum motivo que não sabia, e então tentei achar ela com os olhos, mas nada!
Depois de muitos risos e histórias loucas (sim, estávamos dentro da I Tarde da Juventude Espírita da FERGS), eu estava sentado e me levantei pra ir conversar com o Andrew, que estava de pé. E quando eu cheguei do lado dele eu vi na minha frente aquele cara de olho castanho e cabelo louro médio pra escuro. E eu disse “E aí, Anderson, tudo bom?” – sim, porque ele tinha nome no seu crachá. E brinquei qualquer coisa dizendo que eu tinha uma mediunidade de telepatia, só pra descontrair e voltei a sentar.
Ele foi atrás de mim e do Andrew, fez algumas perguntas. Mas tudo bem, logo começou a palestra e nem o vi mais.
Qual não foi minha surpresa quando o reencontrei na oficina sobre Sexualidade!
Conversamos um pouco, ele é espírita a apenas 1 ano, mas peguei um caderno dele e vi que ele tinha enormes conhecimentos e estudos. Além disso, ele faz faculdade na área de informática (mas o sonho é Astronomia) e é extremamente inteligente para todas as matérias exatas. E aí conversamos muito, muito.
Como uma pessoa Ônix ele tem imensas dificuldades de se adaptar a este mundo. É quase como se fosse um ser extraterreno daqueles que não entendem as emoções humanas, de inteligência grandiosa, mas que se vê de repente entre nós e tendo de lidar com tudo o que pra ele é abstrato. Claro que eu sou o extremo oposto, porque sou todo emocional e sentimento, e tenho dificuldade de lidar com a “frieza” das pessoas.
Demo-nos muito bem, até ficamos juntos na hora do lanche conversando e depois nos separamos, porque ia começar a apresentação de conclusões das Oficinas. Depois que o meu grupo se apresentou faltando mais uns três, lá no fim do Encontro, ele chegou na frente da minha cadeira – que eu tava no meio das gurias – e me disse que queria conversar comigo mas não tinha lugar do meu lado. E aí prontamente (super vadia, hauhauhau, brincadeira u_u”), eu saí e sentei com ele no fundo.
Bem um fato muito engraçado é que ele não controla muito bem o tom de voz, e eu sempre tinha de pedir pra falar mais baixo. E então ele me perguntou sobre o que eu tinha dito, pois eu tinha falado que achava que ele devia ter dificuldades com os sentimentos. Aí eu expliquei o porquê.
Ele ficou pensando e analisando meticulosamente tudo o que eu dizia e da forma como eu dizia… E eu me divertia sentindo ele. Aí então como o palestrante tava pedindo mais silêncio eu pedi o caderno dele e perguntei se podia fazer um desenho, aí então eu comecei a desenhar uma paisagem extra-terrena, com naves, e uma mulher num vestido vaporoso de cabelos longos e ondulados.
Quando terminei entreguei a ele e ele me perguntou como eu sabia o que ele estava pensando. Falei que era o que ele me transmitia, o que eu sentia dele. Aí eu sorri e ele ficou sem jeito – porque achou que eu tava rindo dele, e aí eu disse com certa doçura na voz “não estou rindo de ti, anderson, estou rindo contigo…”; e olhei pra ele e depois pro palco.
Em algum momento creio que ele chegou a abraçar o caderno, sempre imerso em pensamentos, lembrando um CPU funcionando exaustivamente. Após um tempo com o olhar perdido deu uma risada curta e abafada.
Ele me disse que a minha aura era branca, que ele a “via” assim, mas não conseguia explicar… E disse que era muito interessante porque parecia que ela completava a dele, e porque eu tinha coisas que ele não tinha – “e vice-versa“, pensei comigo.
Tinha escrito meu MSN pra ele antes da gente sair da nossa oficina, e foi nessa hora que ele se deu conta de que continha o nome da Deusa Grega da Lua Cheia. Fomos indo embora, e ele tentava dizer coisas mas se complicava, e quando eu ria ele sempre achava que eu estava rindo dele, rs.
Então ele me disse que era engraçado porque eu tinha os traços dela, da Deusa Grega da Lua, e então eu perguntei pra ele “Como tu sabe como ela era?”… Aí ele me respondeu que tinha visto muitas imagens na Net, e eu “Mas porque tu as procura? Tu acha que conheceu ela?”, ao que ele disse ”Você sempre com essas perguntinhas” e sorriu. Então eu disse “pois é…”, e ele continou falando que procurava quadros na Net com imagens dela mas disse que tinha vergonha de me explicar melhor o porquê dele pensar nessas coisas e de me comparar com elas, porque ele era muito tímido ainda, e eu disse “Eu sei” – ao que ele disse “Você sabe?!”, e eu sorri de novo confirmando.
Bem, bem, bem… Experiência muito louca não?
Vamos ver se ele me adciona no Msn uma hora dessas, acho que vai ser muito legal conversar com ele. Ainda pra completar “mesmo”, ele é de escorpião que é o signo zodiacal em oposição ao meu, que é touro. Até pensei que ele pudesse ser gay, porque algo me chamou atenção dentro dele, mas creio que não… Ele me disse que tem dificuldades com mulheres e talz, mas…. Nunca se sabe 100% de nada.
[respirando pra terminar]
Enquanto isso eu continuo aqui, nessa angústia. Sinto muito a falta do ‘____’, mas do ‘____’ que falava comigo e se fazia presente… Espero que essa morte dele represente um renascimento um dia, mas se eu pudesse escolher, escolheria estar do lado dele. Dói muito eu saber que atravessei meu passado procurando por ele, e chegar até aqui, tanto tempo depois, pra receber um vazio sem mais e nem menos.
Ainda me vejo, me vejo naquele abraço que o tempo não pôde apagar. Naquela noite no círculo de pedras, em meio a fogueiras… De quando eu esperei pela morte sobre uma mesa de madeira, desejando sua proteção. De quando eu me ajoelhei e chorei, trazendo a chuva para junto de mim… De quando eu perdi a esperança, de quando caminhei entre árvores negras… De quando nos tomamos num outro mundo.
[suspiro]
Au Revoir, au revoir… O sol nasce nesta terça-feira, disse-me a Luz.